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Há certo exagero!

Caricatura do Economista Mauro OsórioO economista Mauro Osório, autor da obra “Rio Nacional – Rio Local – mitos e visões da crise carioca e fluminense”, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi ouvido pelo Chico Santos, para o Valor Econômico.

A matéria é tema de destaque no Caderno Brasil desta segunda-feira e tem como assunto o crescimento no nível de emprego no Rio de Janeiro em razão do turismo.  O título afirma: “Com Copa e Olimpíada, Rio volta a abrir postos de trabalho no setor turismo”. Nada mais óbvio!

Conheci pessoalmente o Mauro Osório no início da pré-campanha para a Prefeitura do Rio em 2004. Dali por diante, nos aproximamos numa boa convivência e na campanha da Denise Frossard para o governo do estado, trabalhamos em conjunto a proposta de governo que ela apresentaria ao eleitorado. O trabalho ficou nas prateleiras da campanha.

Sei que a matéria significou muito para o Mauro, principalmente, porque o título, de certo modo, escondeu o principal tema: um elogio ao governo Cabral. Ele não ficaria nada satisfeito se o título fosse, por exemplo, e com mais propriedade: “Mauro Osório afirma que o governo Cabral volta a abrir postos de trabalho no setor turismo”.

Afinal, mais do que ter as suas pesquisas e estudos publicados, o Mauro Osório adora ser considerado um pensador independente, contrapartida que o Chico Santos concedeu nos primeiros parágrafos da matéria, ao afirmar:

Quando a análise foi restrita à comparação dos dois últimos anos do período em estudo, Osório, que é reconhecido como o principal estudioso independente da economia da cidade e do Estado, constatou que o Rio praticamente igualou-se à média geral, ampliando o número de vagas em 3,8%, enquanto a média geral ficou em 4%.

Mauro Osório apresenta os pontos principais de uma pesquisa organizada por ele, encomendada pelo Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurante do Rio de Janeiro sobre o nível de emprego no Estado do Rio de Janeiro nos anos de 2009 e 2010, comparados com outras 10 capitais brasileiras e no período inteiro de 2000 a 2010.

O crescimento do nível de emprego no estado é, de fato, significativo e movimenta a posição do Rio de Janeiro no ranking. Ele sai, no período todo, do último lugar para o 8º nos últimos anos.

Mauro Osório atribui a melhor parte dos resultados ao sucesso do governo do estado com o trabalho de reestruturação da máquina pública e do programa aplicado na segurança.

A outra parte, Mauro Osório deixa por conta da atração dos grandes eventos – Copa 2014 e Olimpíada 2016.

Ao final, Mauro Osório diz que a despeito do crescimento significativo, o estado ainda apresenta potencial de melhores resultados, em razão da cadeia produtiva de petróleo e gás, do impacto da despoluição da Baía da Guanabara e pela possibilidade de trabalho integrado entre a capital e os municípios do interior do estado, no aproveitamento dos grandes eventos.

Não há como não concordar com o Mauro Osório sobre a evolução dos números e sobre o potencial de crescimento, apesar de neste contexto, estarem ausente as possibilidades que há por trás do pouco caso com que o governo do estado trata o turismo.

E aqui se instala uma questão de fundo, quando o turismo é tema: o governo do estado não dá a menor importância ao assunto. Os resultados são vegetativos. Quando adota a programa de segurança pública que escolheu, de ocupação das favelas, o governo do estado não pensa no turismo, pensa no potencial de votos que pode alcançar. Do mesmo modo, acontece com a apregoada, mas não plenamente aplicada, reestruturação administrativa. Neste campo, os passos mais significativos foram ainda no ambiente da segurança pública, por exaustão do modelo anterior de vaga nas delegacias e batalhões.

Ainda estamos longe, muito longe, de ter um governo estadual com preocupação com o turismo, um governo que faça do tema plataforma, se não principal, pelo menos, prioritária. Mas, para uma análise mais isenta e confortável, dos seus eleitores, o tudoeturismo disponibiliza a matéria que cita retirada do site do Valor Econômico:

Após longo período perdendo para o restante do país em segmentos econômicos diretamente relacionados com o turismo, a cidade de maior apelo turístico do Brasil, o Rio de Janeiro, começa a dar sinais de recuperação. Estudo feito pelo economista Mauro Osório, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostra forte reação do emprego nos serviços de alimentação e alojamento na capital fluminense entre 2009 e 2010, em relação à média do período 2000- 2010.

De acordo com o trabalho de Osório, feito a pedido do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes da cidade (SindRio), o emprego formal no setor de alimentos (bares e restaurantes) do Rio cresceu 46,6% entre 2000 e 2010. No mesmo período, a média de aumento nas sete capitais do Sul e Sudeste (incluindo o Rio) e em quatro capitais nordestinas (Salvador, Fortaleza, Recife e Natal) alcançou 78,9%. Entre 2009 e 2010, os números já mostram diferença menor entre os dois grupos de cidades: a abertura de postos de trabalho no setor cresceu 7% no Rio, contra 8,9% no conjunto das 11 capitais.

Tabela do Turismo em alta no Rio

Tabela do Turismo em alta no Rio

No setor de hotéis e pousadas (alojamento), o fenômeno se repete. De 2000 a 2010, o crescimento do emprego no Rio ficou em 6,9%, contra 13,6% no conjunto das capitais pesquisadas. Quando a análise foi restrita à comparação dos dois últimos anos do período em estudo, Osório, que é reconhecido como o principal estudioso independente da economia da cidade e do Estado, constatou que o Rio praticamente igualou-se à média geral, ampliando o número de vagas em 3,8%, enquanto a média geral ficou em 4%.

“Reestruturação da máquina pública, atração de grandes eventos (Copa de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016) e melhoria da segurança pública” são os principais fatores apontados pelo economista, não necessariamente nessa ordem, para a mudança que se observa e que se estende ao conjunto da economia.

De 2000 a 2010, o emprego formal no conjunto das 11 capitais escolhidas para a elaboração do estudo cresceu 47,2%. No Rio de Janeiro, o crescimento foi de 35,5%. Quando o corte é limitado a 2009 e 2010, o crescimento do emprego no Rio foi de 5,3%, contra 5,5% da média geral. A fonte dos dados utilizados por Osório é a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho.

Para mostrar como a atração de grandes eventos refletiu-se imediatamente no fluxo de turistas para a capital fluminense, embora eles ainda estejam distantes, o pesquisador conta que, segundo o relato do gerente de um dos grandes hotéis da cidade, semanas depois da decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) favorável ao Rio de Janeiro, o fluxo de turistas internos cresceu, passando a rivalizar com o de viajantes internacionais, até então absoluto.

O gosto especial do carioca pela convivência nas ruas e esquinas, de acordo com o economista, estaria sendo reestimulado pela sensação de mais segurança gerada por iniciativas recentes, especialmente a criação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que já restabeleceram a autoridade pública em 13 comunidades antes dominadas pelo tráfico de drogas.

A prova dessa retomada, segundo ele, é crescimento do número de bares e restaurantes em nível próximo ao das demais capitais que fizeram parte do estudo. De 2000 a 2010, o número de estabelecimentos do setor de alimentação do Rio cresceu apenas 13,8%, aproximadamente um terço do desempenho do conjunto das 11 capitais – alta de 42,7%. Já entre 2009 e 2010, o crescimento do total de estabelecimentos foi de 5,32% no Rio e de 6,96% na média das cidades.

Para Osório, as evidências culturais e econômicas mostram que o caminho que o Rio de Janeiro, capital e Estado, deve seguir para dar perenidade ao bom momento que atravessam é investir em dois complexos econômicos: o da cadeia de petróleo e gás, aí incluindo engenharia de projetos, pesquisas, peças e equipamentos, e o complexo que engloba turismo, entretenimento, esporte e cultura.

Ele ressalta que boa parte das políticas, que resultam na dinamização do turismo, está relacionada com o bem-estar do cidadão carioca a fluminense e propõe a intensificação dos investimentos em saneamento básico, incluindo a despoluição da baía de Guanabara, em segurança pública e em transporte de massa.

Osório propõe ainda intensificar políticas de integração turística entre a capital e o interior do Estado, ressaltando que, apesar do potencial, o turismo fora da capital ainda se concentra em bolsões como os municípios de Armação dos Búzios e Parati. Nas duas cidades, a participação do setor de hotéis e pousadas no total de empregos gerados alcança, respectivamente, 20,8% e 12,5%, contra 0,8% da média do Estado.

Crítica

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A Lógica do Turismo: Literatura + Cinema = Cultura = Turismo

A edição deste final de semana do suplemento, o EU & FIM DE SEMANA d jornal Valor Econômico está dedicada às letras, “Estação das Letras”, para falar de livros, editoras, livrarias e dos dois mais importantes festivais de literatura do Brasil, a Bienal do Livro de São Paulo e a FLIP.

Por ser fator de incentivo ao turismo cultural e de divulgação de um dos mais importantes patrimônios históricos do Estado do Rio de Janeiro, resolvemos reproduzir parte da matéria e sobre ela ouvir a opinião do Presidente da Comissão de Turismo da Assembléia Legislativa, deputado João Pedro.

A jornalista Maria da Paz Trefaut, de São Paulo, produziu a matéria, que trata, na abertura, do resultado de duas pesquisas sobre a evolução do indicador de leitura no Brasil, uma do Observatório da Leitura – “Retratos da Leitura no Brasil” e outra da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. As duas indicam que dobrou, na última década, o número de livros lidos por habitante, um dado impressionante.

Mas, vamos aos comentários da jornalista sobre a Festa Literária de Paraty: “A FLIP, concentrada em apenas cinco dias, é mesmo uma verdadeira festa (…). Em 2003, quatro meses antes do início da 1ª FLIP, os organizadores temiam não reunir público para o evento, mas 500 pessoas compareceram. Na segunda edição havia 10 mil e hoje o festival reúne 20 mil pessoas e movimenta indiretamente R$ 4,76 milhões na economia do município, que tem 100% de ocupação nos hotéis e pousadas”.

thumb a logica do turismo literatura cinema cultura turismoA próxima edição da FLIP acontecerá entre os dias 4, uma quarta-feira e 8 de agosto, domingo e contará, na abertura, com uma conferência prevista para às 19 horas e um show de abertura, para as 21:30.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está na agenda da Conferência com comentários sobre Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre. Luiz Felipe de Alencastro será o debatedor. Edu Lobo, Renata Rosa, Marcelo Jeneci e o Quarteto de Cordas da Academia da OSESP farão o show de abertura, que terá Arthur Nestrovsky na Direção Artística.

Em seguida, na quinta, sexta e sábado até as 19h30min, acontecerão as “mesas de debate” sobre variadas obras e no sábado, a partir das 21h45min o momento que julgamos áureo, com a exibição do filme José e Pilar, com cenas inéditas. O trailer está no Youtube, no endereço:

A nosso pedido, o Presidente da Comissão de Turismo da ALERJ fez um rápido comentário sobre a FLIP, enquanto caminhava com o Fernando Gabeira pelas trilhas da estrada de ferro Grão Pará, em Petrópolis, que ele deseja reativada como medida de incentivo ao turismo na região.

“O que muita gente talvez não se lembre ou desconheça é o motivo da criação da Festa Literária de Paraty. Ela é produto do trabalho de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, uma OSCIP, a Associação Casa Azul criada com o objetivo de ajudar o Poder Público a encontrar soluções para os problemas graves de infra-estrutura que tem Paraty. Uma vez criada, a Festa tem repercussão internacional e leva para o mundo todo o patrimônio histórico da cidade. A FLIP é, portanto, uma prova inconteste da relação íntima que tem o turismo com todas as políticas públicas. A Casa Azul, ao buscar solução para os problemas de infra-estrutura da Paraty, encontrou a liga entre cultura e turismo e da química, nasceu o sucesso da FLIP”.

João Pedro, em campanha pela reeleição, este ano não poderá participar da Festa, mas faz uma recomendação: “Aproveitem a dica e assistam José e Pilar, Retrato de Uma Relação, com direção de Miguel Gonçalves Mendes. Uma bela e real história de amor retratada pelo casal José Saramago e Pilar Del Rio que tem um presente adicional: ouvir Aquiellos Ojos Verdes na voz de Nat King Cole. A programação da FLIP diz que o filme será exibido com cenas inéditas. Dá até vontade de deixar a campanha e seguir pra lá”.

Turismo Cultural

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Prioridade zero para o turismo

O Valor Econômico circula, vez por outra, com suplementos e um deles fala dos estados brasileiros. O de hoje traz o Estado do Rio de Janeiro. O trabalho é um conjunto de entrevistas, dados, informações, fotos e projetos. O Governador Sérgio Cabral está entre os entrevistados e fala sobre pré-sal, jogos olímpicos de 2016, segurança pública e sobre a conquista do grau de investimento, selo que qualidade de gestão fiscal conferido pela mais respeitável agência do risco do mundo, Standard & Poor’s. De leve, muito de leve, com objetivo específico de responder a umas das perguntas, o governador citou o turismo. Esse é o problema maior que o tema enfrenta no estado.

Não pode haver controvérsias sobre a vocação econômica do Estado do Rio de Janeiro, em razão da vocação econômica da Capital e da maioria esmagadora dos municípios fluminenses. Por decisão de Deus ou da natureza, para aqueles que Nele não acreditam, o Estado do Rio de Janeiro é puro turismo. E, neste ponto, é bom ter presente que as cidades, conjuntos de pessoas e famílias, têm vocação e, assim como as pessoas, quando retiradas de suas vocações, as cidades sofrem, penam para dar certo.

O deputado estadual João Pedro, ao ler a resposta do Governador Sérgio Cabral à pergunta do jornalista, “Qual a vocação do Rio? Petróleo e turismo?”, comentou: “Até quando os gestores públicos resistirão à vocação econômica do Rio? Eles não lidam com o tema, por preguiça ou ignorância.

Sérgio Cabral Filho, respondeu ao jornalista: “São muitas. Além da energia (petróleo e energia nuclear), seremos o Estado da siderurgia. O Rio é também a butique de investimentos do Brasil. Como a melhoria no ambiente de segurança, isso está avançando, os fundos de investimentos estão vindo para cá. O turismo foi reforçado com as conquistas de agenda”. E, ponto final. Pena, porque se o Governador compreendesse a importância do turismo como agenda econômica, com certeza, com muito menos investimentos ou com retorno bem maior em emprego, salários, qualificação, desenvolvimento, enfim, a população do Rio teria mais oportunidade de alcançar mais qualidade de vida.

Denúncia

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“Carnaval de Lucros”, principalmente para o turismo

Há poucos dias, numa das reuniões de organização da pauta da Comissão de Turismo da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, o seu presidente, deputado estadual João Pedro (DEM) destacou uma matéria publicada pelo Valor Econômico no dia 28 de janeiro, que demonstra o impacto econômico do carnaval sobre o turismo.

“Vale ler”, disse João Pedro, “principalmente a parte que faz considerações sobre o carnaval carioca, com dados retirados do estudo “Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval”. Em seguida, João Pedro citou os números que o impressionaram e fez um alerta: “os dados apresentados pela matéria, que está assinada por Ediane Tiago, falam em mais de R$ 700 milhões por ano de resultado financeiro e na abertura de 470 mil novos empregos no mesmo período e tem mais: a Riotur estima, para o carnaval deste ano, a visita de 730 mil turistas, que deixarão por aqui algo em torno de 528 milhões de dólares.

É estupidez não compreender a importância do turismo como mecanismo de estímulo ao desenvolvimento econômico”.

O estudo citado na matéria é fruto do esforço conjunto de Luiz Carlos Prestes Filho, no papel de Coordenador Geral e dos técnicos especialistas, Sergio Cidade Rezende, Carlos Saboya Monte, Clarissa Alves Machado, Sidney Limeira Sanches, Antonio Carlos Alkim e Pedro Argemiro.

Como é preocupação permanente do tudoeturismo a observação do turismo como indústria capaz de produzir empregos, oportunidades de ocupação, renda e impostos, cabe a reprodução, pelo que tem de interessante, de parte da matéria publicada pelo Valor Econômico e sugerida à leitura pelo deputado estadual João Pedro:

“Já no Rio de Janeiro, os números baseiam-se no estudo “Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval “, realizado com dados de 2006. Pelo levantamento, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Estado do Rio de Janeiro (Sedeis) estima que o Carnaval movimente mais de R$ 700 milhões por ano e mobilize 470,3 mil trabalhadores. “Estamos encontrando métricas para medir os negócios que são resultado do Carnaval . Para isso, apostamos na organização de arranjos produtivos locais para formalizar quem trabalha com este segmento”, diz Dulce Ângela Arouca Procópio de Carvalho, subsecretária de Estado de Comércio e Serviços.O número parece tímido para a indústria carnavalesca mais madura do país. Mas o estudo é uma amostragem que avaliou apenas os gastos com escolas de samba do grupo especial (12 agremiações). Leva em conta as atividades diretas – que envolvem as ações necessárias para a realização do desfile – e indiretas, a exemplo das cadeias do turismo, audiovisual, editorial e indústria de alimentos e bebidas.

Para os cariocas, o Carnaval é um importante produto, que movimenta segmentos que estão além do grupo especial. Pelas expectativas da Riotur, empresa de turismo do município, 730 mil turistas devem visitar a cidade no feriado e gastar US$ 528 milhões. Para se ter uma ideia da importância da festa, a Riotur calcula que o saldo do verão inteiro (dezembro a março) será de 2,6 milhões de turista e renda de US$ 1,876 bilhão. No ano passado, o movimento foi de 719 mil turistas que gastaram US$ 521 milhões durante a festa.

Segundo a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), cada agremiação do grupo especial gasta em média R$ 5 milhões por ano. Chico Marins, diretor de cultura e desenvolvimento da escola de samba Porto da Pedra, diz que a renda total das escolas principais está na faixa de R$ 60 milhões e é gerada pelos próprios desfiles. Só a bilheteria neste ano deve render, segundo a Liesa, R$ 42 milhões. Desse total, 53,5% são distribuídos entre as agremiações, a outra fatia paga os custos com a realização do evento como aluguel do sambódromo, segurança etc. A Liesa ainda fatura com direitos de transmissão dos desfiles. “Há uma economia importante também no grupo de acesso – cujo número de escolas é de 60 – que ainda não conseguimos mensurar”, destaca Heliana (Heliana Marinho, gerente da área de desenvolvimento da economia criativa do Sebrae-RJ)

As escolas, que figuram como pessoas jurídicas, contratam costureiras – cada barracão mantém em média 300 profissionais para a confecção de fantasias -, marceneiros, carpinteiros, eletricistas, mecânicos, designers, carnavalescos, entre outros. “Temos de realizar um desfile com 3,5 mil componentes, construir carros alegóricos, organizar ensaios e ficar atentos a todos os detalhes”, diz. “Mantemos no barracão o coração da escola e distribuímos para os prestadores de serviço o restante da produção”, explica Marins. Na terceirização, ele ainda destaca boas oportunidades para historiadores e captadores de recursos. “Há muita pesquisa envolvida e a busca por patrocínio já está profissionalizada.”

Heliana estima que um carnavalesco ganhe entre R$ 200 mil e R$ 300 mil por ano. Este atrai uma cadeia artística que envolve designers, coreógrafos, puxadores de samba, compositores e músicos. Esses profissionais, juntamente com as celebridades, consomem boa parte do orçamento reservado para mão de obra. “A maioria dos envolvidos (90%) tem renda mensal de um salário mínimo”, comenta.

Para ampliar a renda, o governo fluminense prevê a estruturação administrativa e financeira das escolas de samba e dos polos de produção de artigos para o Carnaval . Entre os arranjos na mira da Sedeis e do SEBRAE estão o de bordados em Barra Mansa, o de máscaras em Barra do Piraí e o de sapatos, em São João do Meriti. Nessas localidades, o foco está na qualificação profissional e na formação de cooperativas. “Em Barra Mansa, são 800 bordadeiras que pretendemos engajar”, diz Dulce Ângela.

A estratégia anima profissionais como Sandra Maria Anastácia, bordadeira de Barra Mansa que ainda lucra pouco com a festa. Segundo ela, a demanda por bordados de fantasias aumenta entre setembro e fevereiro. “Consigo faturar apenas R$ 120,00 por mês bordando fantasias. Em cooperativa, conseguiria negócios melhores.”

Desenvolvimento

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