Durante quatro dias, de 20 a 24 de janeiro, aconteceu em Madrid, Espanha, a Feira Internacional de Turismo, FITUR, que conta 30 anos de existência, criada para debater o tema e promover instituições, destinos turísticos em todo o mundo, empresas operadoras, agências de viagem, o trabalho de consultores e especialistas.
O Presidente da Comissão de Turismo da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, deputado João Pedro, esteve presente e de lá, no dia 23, sábado, véspera do encerramento da FITUR, por telefone e e-mail, comentou o evento:
“A Feira acontece no complexo de feiras Juan Carlos I, em Madri, um excelente espaço, talvez menor que o nosso RIOCENTRO. O movimento por aqui é grande – são 90 mil metros quadrados de área ocupada em nove pavilhões, que abrigam representações de diversos países do mundo e mais de 12 mil empresas. Dizem que por aqui estão mais de oito mil jornalistas vindos de todos os lugares do mundo. Eu não contei, mas é fácil verificar, pelos crachás, que eles, de fato, formam uma multidão. Acredita-se, que até o último dia, 130 mil pessoas visitem a Feira. A confusão de vozes passa a impressão de uma Torre de Babel. As empresas do país sede, Espanha, ocupam quatro dos nove pavilhões. Sucesso absoluto”.
E o Brasil? Perguntamos. João Pedro respondeu: “O Brasil está no pavilhão 4 e conta com um grupo de abnegados atendentes, que tentam, com trabalho duro, diminuir a diferença na qualidade dos serviços apresentados. Lamentavelmente, o Brasil e, em especial, o Rio de Janeiro, pouco aproveitaram a oportunidade. Quase nada do carnaval carioca, falha justificada com a desculpa do risco de transmitir a imagem, em razão das mulatas, de turismo sexual. Um absurdo preconceito, que busca aproximar da idéia de um bordel, a imagem das belezas humanas que tem o Rio e as Escolas de Samba. Enquanto, por aqui, há distribuição farta de tecnologia moderna de informação, com entrega de CDs e Pen Drives, o Brasil, com exceção do stand do Maranhão, distribui material em papel, que sequer é reciclável. Os nossos pontos fortes, a música e a cultura, principalmente, a afro, estão ausentes. Os stands do Brasil desafinam também no trabalho de captação de novos turistas. O Brasil está aqui com o papel de agente passivo, a aguardar os que queiram, por vontade própria, conhecer o que somos em razão do turismo”.
Sobre os temas principais, João Pedro explicou: “Em resumo, dois temas ocuparam os debates. Primeiro, o meio-ambiente, com decisões importantes, para, principalmente, promover a economia de energia e emissão de gases poluentes, com metas fixadas para locais de hospedagem e depois, com o mesmo grau de importância, a utilização intensiva da internet como meio de conhecimento prévio dos locais de visitação e ferramenta para reservas, divulgação e comentários de avaliação da qualidade dos serviços. Nos diversos stands da feira, verifica-se com facilidade que a internet provoca uma revolução operacional no turismo, com conseqüências irreversíveis sobre o trabalho dos agentes de turismo. Os sites especializados desempenham muito bem o papel de agentes de informações, indicações e reservas de vôos e hotéis”.
Como se percebe esta revolução? João Pedro citou exemplos: “Diversos sites prestam serviços próprios de agentes de turismo. São serviços gratuitos e de qualidade. Há, por exemplo, o endereço www.trip.com, que utiliza vídeos com excelente qualidade profissional, para apresentar mapas interativos de destinos turísticos e de hotéis e pontos de hospedagem em todo mundo, e o www.mirayvuela.com, que captura preços de passagens, faz comparações para identificar os melhores preços. O site captura informações, identifica preços e imediatamente faz as reservas. Um novo conceito em agência”.
O agente de viagem, em extinção? “De modo algum”, explica João Pedro. “Na verdade”, diz ele, “inaugura-se um novo conceito de agente de turismo, que sai do papel de transmissor de informações e dados para o de construtor de conteúdos, que precisam de valor diferencial daqui por diante. As mídias sociais, utilizadas em larga escala pelos modernos agentes de turismo, dependem, para o seu sucesso, de conteúdos bem elaborados, com informações trabalhadas a partir dos conceitos de qualidade, transparência e, sobretudo, honestidade nas informações”.
Nota para a Feira? “Dez”, indicou João Pedro. “E, digo mais: está cada vez mais evidente a necessidade do Brasil, de suas organizações privadas e públicas, pensaram com mais profissionalismo e técnica no turismo como atividade econômica essencial. Aqui na Espanha, o trabalho apresentado pela FITUR, deixou claro que o turismo é a atividade econômica mais preparada para enfrentar as crises, porque, com velocidade transforma em investimento de elevado retorno, o pouco ou o muito da poupança destinada ao descanso, ao lazer, ao entretenimento, e mesmo ao trabalho que impõe viagens constantes. O Brasil tem muito ainda que aprender neste campo. Por aqui, se provou que é possível, em 10 anos, duplicar o número de empregos no turismo, quando os projetos são bem planejados. É possível crescer em percentuais maiores do que os percentuais de crescimento do PIB. E, o uso intensivo da tecnologia é providência essencial, que depende, sobretudo, de treinamento, de se compreender com clareza como funciona o mercado do turismo e agir com rapidez”.