Tem início no sábado e segue até o dia quatro de julho, em Petrópolis, mais uma edição da tradicional Festa do Colono Alemão, a Bauernfest, ocasião em que a cidade comemora a imigração alemã com muita música, artesanato, cultura e, principalmente, gastronomia.

O Petrópolis Convention & Visitors Bureau organizou eventos com os restaurantes e bares da Cidade para que eles ofereçam pratos típicos alemães. Os que estão participando da promoção terão a inscrição “Aqui tem Bauernfest”.

O Festival movimenta a cidade e muitas agências de viagens oferecem, em diversos lugares do mundo, pacotes especiais para gourmets, que colocarão à disposição dos visitantes os pratos tradicionais alemães:

  • Kassler defumado com salsicha branca e salada de batata, mostarda e bacon; Sartoffelsalat com a tradicional salada de batatas alemã, acompanhado de mix de salsichas e lingüiças alemãs;
  • Sauerbraten (lagarto assado com batatas cozidas e repolho passado na manteiga); strassburger wurstsalat (salada de salsicha com queijo);
  • Kassler à Bomtempo (Kassler com molho de mostarda escura, acompanhados com Himmel and erd e cenouras a moda do reino)
  • Schübling e linguiça de fígado grelhada, acompanhados de chucrute e batatas.

O momento é boa ocasião para relembrarmos um pouco da história da chegada dos camponeses alemães a Petrópolis, material que o site do Instituto Histórico de Petrópolis (http://www.ihp.org.br) disponibiliza.

“Após as guerras Napoleônicas, a Alemanha atravessou um período de terrível crise”, com indústria paralisada, desemprego, elevados impostos e desorganização social. Os fatores estimularam os camponeses alemães a procurarem melhores condições de vida em outros continentes.

“No Brasil, as autoridades provinciais desenvolviam um intenso plano de colonização estrangeira, com base na Lei Provincial nº 56, de maio de l840, autorizando o governo a promover o estabelecimento de colônias agrícolas e a adquirir terras a fim de loteá-las para os colonos.

Em 1844, o presidente da província fluminense Aureliano de Sousa e Oliveira Coutinho, Visconde de Sepetiba, assinou um contrato com a firma Charles Delrue & Cia., de Dunquerque, para que fossem contratados imigrantes para trabalhar nas obras que encetava. Os contratadores, dando interpretação liberal a uma cláusula do contrato, ao invés de remeterem colonos alemães, especializados na abertura e melhoramento das estradas enviaram família inteiras, sendo interessante assinalar que a maioria dos imigrantes não possuía a especialização pretendida.

Aureliano Coutinho, não tendo condições de alojar tantas pessoas, recorreu a Paulo Barbosa, Mordomo da Casa Imperial, na esperança de que este pudesse alojá-los na Fazenda de Santa Cruz, ou nas Imperiais Quintas. Paulo Barbosa, conhecendo o plano do Major Júlio Frederico Koeler de criar em Petrópolis uma colônia agrícola capaz de suprir a capital de diferentes espécies de frutas e legumes da Europa, acertou com este a vinda dos colonos para Petrópolis.

Inicialmente, os 161 colonos alemães, que haviam chegado ao Rio de Janeiro em l3 de junho de l845, a bordo do navio Virginie, procedentes de Dunquerque, foram acomodados em Niterói, debaixo de um telheiro próximo às obras da Igreja local, de onde foram transportados para o Arsenal de Guerra da Corte, em barcas a vapor. Naquele estabelecimento militar, segundo nos informa Bretz, “receberam a visita do Imperador D.Pedro II, que lhes fez donativos de seu próprio bolso e prometeu-lhes proteção”. Do Arsenal partiram para o Porto da Estrela, e daí a pé, fazendo escala pela Fábrica de Pólvora e no Meio da Serra, até a Fazenda do Córrego Seco, aonde chegaram a 29 de junho de l845.

Aqui chegados os colonos, cada casal recebeu um prazo de terras que lhes foi aforado em enfiteuse perpétua, cujo foro, variável segundo o tamanho e a localização do lote, seria pago a partir do oitavo ano.

Vencidas as primeiras dificuldades, o povoado começou a florescer graças ao trabalho e à tenacidade dos colonos, cuja operosidade e costumes ordeiros foram objeto de grandes elogios por parte de Aureliano Coutinho, quando de sua visita à Colônia, e do próprio Koeler que aos mesmos assim se referiu: “… São os colonos pessoas laboriosas, honestas, amigas da boa ordem, respeitadoras da lei e muito religiosas…”.

Embora o sonho de uma colônia agrícola logo se dissipasse, devido, principalmente, a pouca aptidão dos colonos para a agricultura e ao fato do solo não favorecer o plantio, os colonos alemães, em sua maioria artífices, deram sólida base ao surgimento das primeiras manufaturas, preconizando o futuro industrial de Petrópolis. Assim, à medida que a colônia ascendia à condição de Capital de Verão do Império, um núcleo artesanal brotava espontaneamente da devoção e do amor dos colonos pela nova terra, fato que tem enorme importância se lembrarmos que o surto industrial estava apenas começando no mundo, quando Petrópolis nasceu.