O deputado estadual João Pedro Figueira não é hipocondríaco, mas como tem o doce vício de pesquisar, de fuçar tudo o que encontra pelo caminho com relação ao turismo, encontrou uma farmácia que é, na verdade, um museu, um ponto turístico, que fica a meio passo de Barra Mansa, Resende e Itatiaia, cidades do sul-fluminense.

João Pedro tem a motivação de quem conhece com propriedade o potencial que a atividade tem de transformar os pedaços da história, por menor que sejam, em dinheiro, que cria emprego, ocupação, renda, educação e novas oportunidades de negócios.

O deputado João Pedro visitou Bananal e nos indicou a leitura de uma extensa matéria sobre uma Pharmácia Popular, “bem diferente das farmácias populares que os governos utilizam para distribuir gratuitamente remédios para a população mais pobre”.

A Pharmácia Popular, escrita assim, com “Ph”, visitada pelo deputado João Pedro está localizada no pequeno município paulista de Bananal, cidade que abriga pouco mais de 10 mil habitantes e está situada no Vale do Paraíba, quase na divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro.

“A Pharmácia Popular, aquela do seu Plínio, em Bananal, não distribui remédios de graça; distribui emprego e renda, além de produzir impostos e manter viva uma parte importante da história do Brasil”, avisa João Pedro, que sugere uma visita ao site Explore Brasil, espaço de visita obrigatória para quem queira conhecer roteiros turísticos de relevo. “O site tem um espaço dedicado ao município de Bananal: http://www.explorevale.com.br/cidades/bananal/historia.htm. Fomos ao site e de lá trouxemos as indicações:

“Em Bananal, os ‘barões do café’ formavam a elite do Império. Com seu dinheiro, depositado nos bancos de Londres, eles chegaram a avalizar empréstimos feitos pelo Brasil para enfrentar a Guerra do Paraguai. Eles financiaram a construção da Estrada de Ferro Ramal Bananalense – que passava pelas fazendas mais ricas e iam até Barra Mansa, no Rio de Janeiro – e trouxeram uma estação ferroviária inteira da Bélgica.

Por algum tempo, a cidade teve sua própria moeda. Um dos fazendeiros mais poderosos da cidade, Manoel de Aguiar Vallim, dono da fazenda Resgate, teria ao morrer, em 1878, apenas em apólices da dívida pública, quase 1% de todo papel moeda emitido no Brasil. Mas o período de prosperidade obtido com o chamado ouro verde não demorou a chegar ao fim. No final do século, as terras começaram a dar sinais de exaustão.

A abertura da ferrovia Santos-Jundiaí veio facilitar o escoamento da produção de pontos mais distantes do litoral, propiciando a expansão da lavoura cafeeira no oeste paulista. A abolição da escravatura, em 1888, enfraqueceu ainda mais a economia da região. Os filhos dos grandes fazendeiros não conseguiriam manter as fortunas herdadas dos pais. As pastagens para criação de gado tomaram o lugar dos cafezais. No entanto, não seriam capazes de restaurar o poder e a riqueza das famílias de Bananal e de todo vale, mergulhadas em brigas por heranças e perdidas na lembrança do período de glória”.

Todavia, se Bananal não ostenta, mas a riqueza patrocinada pelo café nem abriga os donos de grande fortuna, mantém intacta a Pharmácia (assim mesmo com “Ph”) do seu Plínio, hoje ponto turístico da cidade, motivo da visita de estudantes de medicina e farmácia, que chegam de todos os cantos do Brasil, para conhecer os métodos e instrumentos utilizados no passado para composição dos remédios.

A Pharmácia do seu Plínio existe desde 1830 e nasceu com o nome de Pharmácia Imperial, pertencendo ao francês, Tourin Domingos Mounier. O vínculo estreito da farmácia com a história do Brasil fez com que a razão social “Pharmácia Imperial” fosse substituída por “Pharmácia Popular”, a partir da proclamação da República.

A decoração permanece com os traços fortes do século XVIII, formada com balcões em madeira da época, ladrilhos franceses e um belo gradil que impede o acesso do público às prateleiras com remédios. Há uma coletânea de livros da época do Brasil Império com informações sobre doenças e indicações de fórmulas químicas para composição de remédios. Todo o material é original e, por isso, escrito em francês.

“Aqui tudo é do tempo em que o remédio era manipulado na própria farmácia, não como hoje, que vem em caixinhas coloridas”, avisa seu Plínio, numa entrevista que concedeu ao site http://www.vnews.com.br ,  que traz uma extensa matéria sobre o assunto e serviu de inspiração para a construção que faz o tudoeturismo.