Em 1993, John Burt, especialista em turismo, estava com 44 anos de idade e havia viajado o mundo todo. De passagem pelo Brasil, ele foi entrevistado por Virginie Leite, naquele tempo, repórter da Revista Veja. A primeira pergunta feita a John Burt foi: “Quando um estrangeiro pensa no Brasil, o que lhe vem à cabeça?” Burt respondeu: “A imagem do Brasil no exterior é o Rio de Janeiro e a Amazônia”. Em seguida, Virginie Leite perguntou: “Que retrato o turista estrangeiro faz do Rio atualmente?” Burt devolveu: “Para a maioria das pessoas, é uma cidade exótica, com belas praias, mulheres de biquíni, música, carnaval, frutas tropicais. Mas, o Rio também já consolidou a imagem de uma cidade violenta”.
Assim como as pessoas, as cidades têm vocação, têm pendor específico. Há cidades com vocação clara, indiscutível, para o turismo. É o caso de muitas cidades localizadas no Estado do Rio de Janeiro – tantas, que fazem do estado, um todo propício ao turismo.
Mas, no Estado do Rio de Janeiro, no contexto das políticas públicas, o turismo ainda é novidade poética, limitada ao campo das boas intenções sem conseqüências efetivas.
Seria injusto dizer que não existem, aqui e ali, neste campo, iniciativas de relevo. Existem sim, mas de esforço isolado, sem consideração sistêmica; sem compromisso com um conjunto de medidas que exerçam função mútua e coordenada para tornar o ambiente favorável ao turismo.
Na entrevista de Burt, ocorrida há quase 20 anos, fica evidente este fato, quando ele cita o Rio como cidade violenta e a gente olha o sentimento dele à luz das medidas que repetidamente os governos adotam para reduzir a violência. Não há preocupação alguma com a imagem da Cidade.

Pão de Açúcar - Praia de Botafogo
Pela importância que tem o turismo como atividade econômica na vida da população do Estado do Rio de Janeiro e compreensão de o turismo precisa ser observado no contexto de um sistema de políticas públicas, foi criado este espaço, que tem a ambição de ser ambiente para debate e construção de políticas públicas consistentes. Chama-se “tudo é turismo”, porque acreditamos mesmo que, no caso do Estado do Rio de Janeiro e de seus municípios isso é uma verdade absoluta. Por aqui, saúde, educação, segurança pública, desenvolvimento sustentável, trânsito, transportes, tudo isso tem importância essencial para o sucesso de uma política pública voltada para o turismo.
E, este é sem dúvida um bom momento. Primeiro, porque quase despercebida, nasceu no dia 17 de setembro de 2008, a Lei 11.771, que estabelece uma Política Nacional para o Turismo e nada de concreto se fez no Estado do Rio para se tirar proveito disso. Depois, porque estamos a ingressar num período de organização das campanhas eleitorais para o governo do estado e para as cadeiras da Assembléia Legislativa.
Enfim e em resumo, a apresentação e avaliação de propostas para o turismo no Estado do Rio de Janeiro é a proposta de trabalho deste espaço. Seja bem-vindo.