Financiada pelo Programa de Indução de Negócios no Mercado Receptivo Brasileiro, iniciativa do Ministério do Turismo, a Associação Brasileira de Agentes de Viagens (ABAV) ouviu, recentemente, os seus associados e um grupo representativo de empresários vinculados ao setor e localizados em diversas regiões do País, para conhecer os fatores que dificultam o desenvolvimento da atividade no Brasil. O Presidente Nacional da ABAV, Carlos Alberto Amorim Ferreira, Kaká, divulgou o resultado no site da organização, http://www.portalabav.com.br/default.aspx .
A pesquisa apontou, entre outras coisas, a pouca integração entre o poder público e o setor privado no incentivo ao turismo. Claramente, enquanto o setor privado busca meio e modos de melhorar a qualidade dos serviços de recepção ao turista, para, principalmente, estimular o seu retorno, o setor público não cuida da infraestrutura essencial, assim considerados os serviços de transportes, segurança pública, orientação e apoio logístico.
Neste quesito, a percepção do tudoeturismo é de que a situação é mais grave no Rio de Janeiro. O Presidente da Comissão de Turismo da Assembléia Legislativa do Estado, deputado João Pedro e o ex-Secretário Municipal de Turismo da Cidade do Rio de Janeiro, Rubem Medina, personalidade com vínculo forte e histórico com o tema, comentaram o fato:
Deputado João Pedro: “A minha percepção é a mesma que a pesquisa da ABAV apresenta e vem sendo confirmada desde as minhas primeiras incursões no tema. O Governo do Estado do Rio e, durante algum tempo, mesmo a Prefeitura da Capital, sem diferença para os diversos períodos de gestão, fogem do tema. Claramente não reconhecem o turismo como uma atividade econômica vocacional dos diversos municípios do estado.
E, a sinalização começa com a composição da estrutura institucional. O Governo do Estado não tem uma Secretaria específica para o turismo. Ele, ao longo do tempo, tem misturado os conceitos e, presentemente, une Esporte, Lazer e Turismo. Outro ponto grave é a designação de recursos do orçamento. O Turismo fica com zero, vírgula zero qualquer coisa. Tentei emendar para 1% e não contei com o Governo do Estado.
Rubem Medina: “O resultado da pesquisa está confirmado na prática, mas se considerarmos o que houve na relação do setor público com o setor privado ao longo dos anos, verificaremos uma melhora substantiva. Estamos longe do ponto ideal, mas houve melhora. Vejam o caso da Cidade do Rio de Janeiro.
Por aqui, a Prefeitura designou uma estrutura específica, momento em que assumi a Secretaria Especial de Turismo, organismo frágil pela ausência de recursos, mas já um primeiro passo. Li, a pesquisa da ABAV. Ela indicou outros pontos importantes, como a identificação da ausência de qualificação da mão de obra e o número pequeno de escolas de línguas. Enquanto Secretário Municipal de Turismo, eu agi fortemente neste quesito com a reprodução no Rio dos diversos programas de qualificação de mão de obra e de preparação dos agentes que recepcionam os turistas. Caso clássico dos motoristas de taxi, que receberam cursos de idiomas gratuitos.
E, não há como desconhecer que houve avanço significativo no que diz respeito à atuação do poder público, quando se observa o trabalho que tem feito o Ministério do Turismo e os programas por ele criados”.
A pesquisa da ABAV demonstrou também que há necessidade de treinamentos em Gestão empresarial, Qualidade em atendimento, Planejamento estratégico, Idiomas e Geografia. E, por fim, traçou sugestões de providências estratégicas para os grandes eventos, principalmente para a Copa do Mundo de 2014 e apresentou dados sobre o setor:
Sugestões de estratégias para grandes eventos como Copa do Mundo:
- Treinamento de toda a cadeia produtiva envolvida
- Desenvolvimento e estruturação de roteiros regionais, que estimulem a permanência do turista
- Melhoria e ampliação de infraestrutura portuária, aeroportuária e rodoviária
- Criação de postos de atendimento ao turista.
- Sinalização turística trilíngue
Dados: Perfil dos visitantes por região.
Região Sul: 41% dos turistas que chegam a esta região são oriundos de países visinhos da América do Sul. Estados Unidos e Europa vêm empatados, com 23%, seguido da América Central, com 9% e da Ásia, com 4%.
Região Sudeste: A maioria dos turistas é proveniente da América do Sul e da Europa, ambos com 34%. Em seguida vem a América Central, com 12% e Estados Unidos, com 7%. Ásia, África e Oceania representam juntas, 13%.
Região Norte: A maioria dos turistas que visita o Nordeste vem da América do Norte e da Europa, com 33% cada. Os Estados Unidos representam 16%, seguidos da Ásia, com 6% e da África, com 3%.
Região Nordeste: América do Sul e Europa são os principais emissores, com 34% cada. América Central representa 12% e Estados Unidos 8%. Ásia, África e Oceania somam 12%. Região Centro Oeste:
Aqui, são os turistas da América do Sul que mais viajam a região, totalizando 32%. Países como Estados Unidos, Europa, Ásia e Oceania representam cada, 17% do volume.
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