thumb discurso e pratica 01No finalzinho do ano passado, a última reunião da Diretoria da Federação dos “bureaux” do Convention & Visitors Bureau aconteceu em Teresópolis, por proposta do Ricardo Raposo, Presidente do Bureau local.   O médico Jorge Mário, prefeito da cidade, esteve presente e, no seu discurso, fez uma crítica sutil aos seus colegas de outros municípios turísticos e aos seus antecessores: “A convicção que tenho, de que o turismo é um grande investimento, às vezes falta a muitos Prefeitos de cidades turísticas. Por isso, Teresópolis nunca conseguiu consolidar, com todo seu potencial, a atividade turística no município. O setor distribui riqueza com rapidez, gerando trabalho e renda. Quando se investe em turismo, o turista se beneficia, mas a população da cidade também, a partir de toda a infraestrutura construída”.

Está certo, o Jorge Mário, principalmente, quando reconhece que o turismo é instrumento distribuidor de riquezas com rapidez, por ampliar as oportunidades de trabalho e renda. Também é fato concreto, que nem todos os prefeitos têm a mesma convicção, mas todos eles, convictos ou não, por vezes não sabem como fazer para incentivar a atividade.

Há, por exemplo, os governos que acreditam que incentivam o turismo quando patrocinam eventos ou apóiam financeiramente as iniciativas do setor privado. Isso é parte, mas não é o todo nem a parte mais relevante.

A situação pode ser comparada a de uma visita que você recebe em sua casa, seja para uma festa ou para relembranças. Não é bom que ela encontre as coisas fora do lugar, sujeira por todo canto e lixo na porta de entrada. Isso causa péssima impressão e derruba qualquer possibilidade de crescer o desejo de voltar.

A contribuição maior das prefeituras à visita do turista e ao desejo deles de comprar produtos e serviços locais está nas atividades correntes, que só elas podem realizar. Uma é a conservação das ruas e das calçadas. Uma cidade limpa, urbanizada e iluminada traz no conjunto o conceito de segurança pública, também fundamental na escolha que faz o turista dos locais que ele visitará e indicará aos seus amigos, colegas e parentes.

Lamentavelmente, para contrariar o quesito de ordem e limpeza, Teresópolis ainda mantém intacto o esqueleto do que seria a sede da Câmara Municipal. Aquele monstrengo sobrevive aos governos, sempre velho, incendiado, cheio de sujeira. Ele não faz justiça ao que é Teresópolis como pólo turístico e muito menos a um governo que inicia uma fase promissora na vida política da cidade.

Outra providência essencial para quem aposta no turismo é o cuidado com as “portas de entrada”: rodoviárias, aeroportos, portos, estações ferroviárias, estradas de acesso.

Houve um tempo na história dos municípios de febre de construção de pórticos, que os dicionários definem como “entrada para algo grandioso”. Mas, a grandiosidade de alguns pórticos levantados não é sincera com o que se encontrará logo adiante.

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Teresópolis tem pórtico, mas não tem uma rodoviária à altura de sua grandeza como pólo turístico. É preciso pensar nisso, talvez antes de se falar em duplicar a serra, desejo bem intencionado da sociedade chamada civil, que, no entanto, virou discurso de ocasião de políticos à busca de uma bandeira para reeleição. No orçamento do estado para 2010 ela não está presente, porque ninguém se preocupou com isso no tempo certo, nem consta, pelo mesmo motivo, do projeto de obras do Poder Executivo Estadual.

É preciso refazer a rodoviária de Teresópolis e rever o conceito sobre o qual ela foi projetada. Ela poderia ser um shopping, que em linha com a Ferinha do Alto, já em fase de revisão, serviria como espaço para divulgação do artesanato e dos produtos locais.

Mas, se temos problemas, temos esperanças e a sensibilidade que o prefeito Jorge Mário demonstra publicamente com relação ao turismo é um dos nossos motivos. Algumas medidas pontuais adotadas pelo governo dele, entre elas a escolha acertada de seus secretários de turismo e cultura, demonstram que a prática se aproxima do discurso.

A decisão da Federação do Convention & Visitors Bureau de realizar, em Teresópolis, a sua última reunião do ano – a mais festiva e consistente – é demonstração cabal de confiança da iniciativa privada vinculada ao turismo nas intenções reais da prefeitura.