O ex-prefeito do Rio, César Maia, publicou nas notícias diárias que divulga para os assinantes de seu blog, algumas notas sobre os vôos de Asa Delta a partir da Pedra Bonita, em São Conrado. Ele chama a atenção para esporte como elemento que incentiva o turismo e critica a decisão de órgãos de governo de proibir os vôos duplos.

Antes de seguirmos para as notas publicadas pelo ex-prefeito, contamos um pouco da história deste esporte radical, com a reprodução de um texto publicado no site http://oradical.uol.com.br/

“A história da Asa Delta não é tão antiga quanto o desejo do homem de conquistar o céu. Desde a mitologia de Édipo, esse desejo persegue o homem e foram realizadas muitas tentativas com o objetivo de voar.

Mas foi depois da II Guerra Mundial que a asa delta, de fato, surgiu. Um pesquisador chamado Francis Rogallo foi o primeiro a registrar a patente das asas flexíveis, em 1951. Essa descoberta foi fundamental para o surgimento do esporte. Na mesma época a NASA utilizou a invenção de Rogallo para auxiliar na aterrissagem de foguetes.

O primeiro desenho de uma asa delta como conhecemos atualmente foi realizado por Al Hartig em 1966. A história no Brasil começou quando um piloto francês fez um vôo do alto do Corcovado no Rio de Janeiro em 1974.

O primeiro piloto brasileiro a voar foi Luiz Cláudio, que entrou por acaso na história. Algumas pessoas buscando um morro ideal para iniciar as aulas, encontraram Luiz, que tinha um terreno de acordo com as necessidades para o curso.

Seu primeiro vôo foi realizado no dia 7 de setembro de 1974 no topo da Pedra da Agulhinha, em São Conrado. Em 1975, o número de pilotos já era mais de uma dezena e resolveram, então, realizar o 1º Campeonato Brasileiro de Vôo Livre.

No final de 1975, foi fundada então a Associação Brasileira de Vôo Livre (ABVL) com o objetivo de controlar o acesso à rampa de vôo livre em São Conrado, que acabou sendo definitivamente cedida aos pilotos e utilizada até hoje.

Atualmente a asa delta evoluiu bastante e os equipamentos do passado, deram lugar a asas mais modernas, projetadas por engenheiros aeronáuticos. Alguns modelos chegam a custar mais de 10.000 dólares”.

AS NOTAS DO CÉSAR MAIA:

  1. Os vôos de Asa Delta (Pedra Bonita – São Conrado) se tornaram uma atração do Rio, inclusive atração turística. Uma ampla área em verde foi preservada com a sede do clube deles, num canto. O sucesso foi de tal ordem que se tornou um ponto de atratividade e de geração de renda.
  2. Os que adquiriram técnica de vôo descobriram um mercado de trabalho. Começaram a fazer vôos duplos com aluguel do lugar do parceiro nos vôos. O sucesso foi enorme, atraindo especialmente turistas.
  3. Com isso, se criou um mercado de trabalho amplo, seja em relação aos ‘pilotos’, alugando a vaga no vôo duplo, como ao pessoal, em geral da Rocinha, que embrulham e arrumam as Asas Delta depois dos vôos, colocando nos jipes. Da mesma forma em relação aos jipes de transporte e aos jipões de turistas, para o vôo e para ver os vôos em São Conrado. Multiplicou-se a frequência nos quiosques. Isso tudo sem burocracia: natural e espontaneamente.
  4. Mas (dizem), um setor da aeronáutica alegando o controle aéreo e que as asas-delta nada pagam, decidiu PROIBIR os vôos duplos. Com isso, a atividade simplesmente terminou, produzindo um sério impacto no emprego/renda de dezenas de profissionais, centenas de jovens arrumadores, centenas de transportadores e operadores turísticos, além da repercussão das imagens que tantos turistas faziam no vôo.

As asas delta passaram a ser uma referência turística e de imagens em vôo do Rio. Uma decisão inexplicável por suas repercussões na renda de centenas e centenas de pessoas e na eliminação de um dos cartões postais, que combinava natureza com a criatividade do carioca. Único nesse sentido, no Rio.