Não se pode dizer que a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro não reagiu com rapidez e eficiência à invasão do Hotel Intercontinental por bandidos que ocuparam as ruas de São Conrado, bairro que liga a Zona Sul à Barra da Tijuca.

A situação foi dominada em poucas horas, dez bandidos foram presos. O armamento pesado utilizado por eles foi recolhido.

Contudo, a declaração do empresário mineiro Waldemar Rausch, de 42 anos, demonstra com clareza os resultados que o clima de insegurança produz sobre o turismo. O fato foi relatado pelo portal Terra, no sábado, dia da invasão, às 23 horas:

“Aterrorizados, hóspedes do Intercontinental relataram os momentos de pânico e desespero. Morador de Divinópolis (MG), o empresário Waldemar Rausch, 42 anos, diretor de plano de saúde, contou que ele, a mulher, Silvana, 44, e os filhos Álvaro, 5, e André, 3, ficaram três horas trancados no quarto em que estavam hospedados, no 9º andar. “Nossa primeira reação ao ouvir o intenso tiroteio foi nos jogarmos no chão, abraçados”, lembrou Waldemar, que pretende voltar para Minas hoje, um dia antes do que havia planejado. “Acho que não há mais clima para ficarmos aqui.”

Nenhuma política pública exerce mais influência sobre os resultados do turismo do que a Segurança Pública e os serviços de transportes. Na questão da segurança pública, é fato que o  Rio de Janeiro tem passado a percepção de haver maior cuidado por parte da polícia, principalmente, no que diz respeito ao policiamento ostensivo. Já, na questão dos transportes, a cidade e o estado ainda enfrentam duros problemas, a começar pela péssima qualidade dos pontos de acesso, rodoviárias e aeroportos.

Mas, quero, hoje, me ater ao episódio lamentável que houve em São Conrado no início do sábado. Primeiro, é preciso dizer que tivemos sorte. Se a ocorrência esperasse pelo domingo, teríamos uma confusão maior, por conta da realização da mini-maratona.

Retirada a sorte, não se pode dizer que a polícia não respondeu prontamente ao desafio e, neste ponto, me chamou a atenção a atitude de alguns políticos que, em campanha eleitoral utilizaram o acontecimento para ampliar a percepção de insegurança que o episódio com justo motivo refletiu e da imprensa que, mesmo sabendo que a situação estava sobre controle, mandou os seus repórteres ao local vestidos com coletes de proteção.

As mensagens postadas no twitter e as declarações dadas à imprensa não foram imparciais ou sequer justas e muito menos tiveram o cuidado de aliviar as impressões representadas pela declaração do Waldemar Rausch.

Muita gente passou claramente a idéia de torcer pelo pior, porque isso lhes daria o discurso mais fácil e o sensacionalismo que vende notícias. Ora, o uso político dos problemas, que ainda temos na Segurança Pública tanto mal faz ao turismo, quanto os próprios acontecimentos.