O Caderno de Esportes do jornal Estado de São Paulo denunciou na segunda-feira a sujeira que há na Baía de Guanabara, “cartão de visita para 2016”, em razão do Campeonato Mundial de Classe Star, que envolve 81 barcos de 20 países.

A matéria ouviu os iatistas campeões mundiais, Torben Grael e Robert Scheidt, o Diretor de vela do Iate Clube do Rio, na Urca, um dos organizadores do Mundial, Ricardo Ermel e recuperou declarações feitas em 2008 pelo velejador Ricardo Winick, Bimba:

Grael alertou: “Tem tanto lixo na Baía que é até sacanagem fazer a competição lá. Fora dali (em mar aberto) tem muito lixo também, porém menos. É um fator muito negativo e um péssimo cartão de visita para quem vai organizar a Olimpíada de 2016. Se quiser realizar a competição de vela no Rio (nos Jogos de 2016), tem de melhorar bastante. Do jeito que está…”

Robert Scheidt seguiu no mesmo tom: “Se o estrangeiro velejar aqui e enganchar no lixo, não vai gostar. É um sinal de que a Baía de Guanabara precisa melhorar as suas condições para ser sede dos Jogos Olímpicos (…). É um grande alerta. Infelizmente, não tem o que fazer agora. Faltam poucos dias para a primeira regata. Um saco plástico pode fazer a velocidade do barco diminuir. É bem frustrante. É como se puxasse o freio de mão do carro”.

Ricardo Ermel admitiu: “Correr em Búzios, em Angra dos Reis e em Ilhabela é muito melhor tecnicamente, mas os clubes dessas regiões não comportam um campeonato desse porte. Aqui temos estrutura para isso.”

Ricardo Winick, Bimba, em 2008: “na Baía de Guanabara tem cadáver, bicho morto, porta de geladeira, sofá e televisão”.

Ermel afirmou, no entanto, que o problema não é exclusivo da capital fluminense. “Em Miami, as algas se soltam e grudam no barco. E, na China, o mar está sujo também. Não adianta só culpar o governo. A população também tem culpa. Ela joga lixo nas calçadas, na areia das praias e tudo vai para o mar.”

O Estadão ouviu também a assessoria do Comitê Organizador dos Jogos de 2016, que informou a aprovação do projeto para as competições de vela da Olimpíada do Rio pela Federação Internacional de Vela (Isaf) e pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). O comitê acrescentou ainda “ter “plena confiança” na qualidade do projeto de despoluição da Baía de Guanabara, que está sendo desenvolvido pelo governo estadual em parceria com a iniciativa privada, com investimentos até 2016. E destacou que, nos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007, as competições de vela foram realizadas na Baía de Guanabara “sem qualquer problema”.

Sobre a poluição da Baía de Guanabara, há nas livrarias uma obra excelente do Victor Coelho, engenheiro formado pela antiga Escola Nacional de Engenharia, funcionário por 28 anos do Instituto de Engenharia Sanitária (IES) e da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente, Feema.

O trabalho, publicado pela Casa da Palavra com patrocínio da Carioca Engenharia, aborda a poluição da Baía desde o aparecimento dos primeiros vetores de agressão ambiental e apresenta propostas concretas de solução, momento em que dedica algumas considerações para o turismo: “(…), o turismo poderá ser ampliado dentro de um enfoque de desenvolvimento sustentado”.

Poluição na Baía de GuanabaraVictor Coelho diz mais: “Na Baía de Guanabara, pretende-se incrementar a atividade turística utilizando os seus atrativos naturais e contribuindo para a divulgação de sua importância sociocultural entre os diversos segmentos da população. A título de exemplo, poderiam ser traçados roteiros agregando partes terrestres e partes marítimas. Na parte terrestre, visitar-se-ia a parte antiga da cidade, no corredor cultural do centro do Rio, o que incluiria visitas à fortaleza da Conceição, à rua do Jogo da Bola(típica do século XIX), à Pedra do Sal, ao Palácio do Bispado, ao Observatório Astronômico etc. O programa seria conjugado com atrações já conhecidas, como o Mosteiro de São Bento, o Arco do Teles e as vizinhanças da Praça XV”.

O pior de tudo isso é o fato de já terem sido queimados pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, desde 1994, 1 bilhão e meio de reais para resolver o problema e não se resolveu. O vídeo, que segue o presente texto, apresenta o deputado Carlos Minc, na época iniciando o seu período como Secretário Estadual do Ambiente, a prometer soluções concomitantes, que agora, em 2010, apresentariam um quadro melhor. Isso não houve.

É papel nosso cobrar.