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Violações aos Direitos Humanos é motivo para turismo?

Tudo é, de fato, bom motivo para praticar turismo, até mesmo a historia das violações aos Direitos Humanos pelo mundo. É o caso do “Museo de La Memoria y Los Derechos Huamanos”, obra da ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet e projeto de um escritório brasileiro de arquitetura, o Estúdio Américo.

O Museu é um espaço destinado a dar visibilidade às violações aos Direitos Humanos cometidas pelo período de governo do General Pinochet (1973 a 1990) e “dignificar las víctimas y a sus familias; y a estimular la reflexión y el debate sobre la importancia del respeto y la tolerancia, para que estos hechos no se repitan nunca más” (http://www.museodelamemoria.cl/ES/Museo/Arquitectura.aspx) .

O site http://cafehistoria.ning.com publica uma excelente matéria sobre o museu. Resolvemos aproveitar:

Depois de um artigo bastante comentado sobre a “Escuela de Mecanica de La Armada” (ESMA), principal centro de detenção e tortura da ditadura argentina, e de uma videopalestra ao vivo e online com o historiador Carlos Fico, que falou sobre a “Operação Brother Sam”, no Brasil, o especial “Ditaduras Militares da América do Sul”, produzido pelo Café História, chega ao Chile, um dos países mais democráticos e desenvolvidos do continente, mas que, no passado, enfrentou uma das forças autoritárias mais devastadoras da região: a ditadura de Augusto Pinochet. Neste novo artigo, o CH busca mostrar como o Chile, com seus pouco mais de 17 milhões de habitantes, é um país que tenta compreender sua memória e seguir adiante, mesmo após tanta violência.

Em 11 de setembro de 1973, um grupo de militares chilenos, com expressivo apoio logístico, econômico e militar dos Estados Unidos, além de setores da própria sociedade civil chilena, empreendeu um golpe que culminou com a morte do então presidente do Chile, Salvador Allende, de tendência socialista, e instaurou uma violenta ditadura que duraria até 1990, quando Augusto Pinochet, principal ícone deste período, entregou seus poderes ao primeiro presidente eleito em muitos anos.

Segundo informe da Comisión Nacional sobre Prisión y Tortura (CNPPT), publicado em 2004, 28.459 pessoas foram vítimas de prisões políticas e de tortura no país, sendo que mais de um terço nunca se envolveu com nenhum tipo de militância política.
Vinte anos após o fim da sangrenta ditadura – calcula-se mais de 3000 mortos – organizações que lutam pelos direitos humanos no país, em parceria com o Palácio de La Moneda, demonstram que o Chile está pronto para enfrentar de frente todos os crimes cometidos durante a ditadura militar. O grande símbolo desta empreitada é sem dúvida nenhuma o novíssimo “Museo de La Memoria y Los Derechos Humanos”, inaugurado em janeiro de 2010 na capital Santiago, e cuja missão é dar visibilidade às violações dos direitos humanos cometidas pelo Estado do Chile entre os anos de 1973 e 1990.

A história do “museu da memória”, como é mais conhecido, começou ainda em 2007, quando o Ministério de Obras Públicas do Chile abriu um concurso público destinado a selecionar o projeto de arquitetura para a construção do museu. Dos 57 projetos inscritos e avaliados, o vencedor foi o do escritório brasileiro “Estúdio Américo”, integrado pelos arquitetos Mario Figueroa, Lucas Fehr y Carlos Dias. Com o aval da então presidenta chilena, Michele Bachelet, as obras começaram rapidamente, ainda em 2008. E apenas dois anos depois, em 11 de janeiro de 2010, o museu abria suas portas ao público, recebendo mais de 2000 visitantes no primeiro dia. (http://www.museodelamemoria.cl/ES/Museo/HistoriadelMuseo.aspx)
A reportagem do Café História esteve em janeiro de 2011 em Santiago e pôde constatar a importância que o museu possui hoje, apenas um ano depois de sua inauguração. Trata-se em todos os sentidos de uma construção imponente. Primeiro do ponto de vista arquitetônico. A superfície construída do museu é de 5.500 metros quadrados. A estes se somam ainda 1.700 metros quadrados de espaços cobertos no exterior e outros 300 metros quadrados de auditório. Visto de fora, o prédio chama a atenção de quem passa pela rua. Sua fachada foi construída completamente por um revestimento de cobre, metal símbolo da prosperidade e da identidade chilena. Mas por trás de todo o cobre, estão muros de cristal. Abaixo do prédio principal, encontram-se centenas de degraus, que levam a entrada do museu, e também um longo espelho d’água. Uma estrutura e função que podem ser comparados em sua grandeza a outros museus, como o Yad Vashem, em Israel, dedicado a memória do Holocausto.

Dentro do prédio, o visitante encontra seis pavimentos: três de exposição permanente, o pavimento térreo de entrada e dois subsolos, onde acontecem outras exposições. Uma dessas exposições, que também é permanente, chama-se “La Geometria de la Conciencia”, criada pelo artista contemporâneo Alfredo Jaar. O visitante entra em uma sala totalmente escura. Depois de alguns minutos de desorientação, as paredes da sala são ligadas com uma luz branca fortíssima, dando visibilidade a milhares de siluetas anônimas, ampliadas com o recurso de espelhos. A experiência é extremamente intensa e faz com que as pessoas reflitam sobre a infinidade dos crimes cometidos, sobre a angústia e o despreparo diante do incerto.

Já dentro do prédio principal, encontra-se o maior patrimônio material e imaterial do Chile a respeito da ditadura militar que governou o país. Tendo como base a memória, a museografia dá amplo destaque a todo tipo de testemunhos, relatos e impressões daqueles que viveram de perto o terror do autoritarismo. Essas memórias estão divididas entre muitas alas. Uma das principais, respeitando o tempo linear, conta como foi o golpe que depôs e matou Salvador Allende, o bombardeio ao Palácio de La Moneda e os assassinatos cometidos contra militares e aliados do governo derrubado, durante o triste episódio das execuções sumárias, no Estádio Nacional. Outra ala mostra recortes de jornais durante todo o período da ditadura e documentos trocados entre embaixadas, familiares e organismos internacionais. Mas duas alas merecem destaque especial. A primeira diz respeito aos relatos de militares que leais a Allende resistiram e pagaram um preço caro por isso.

Alguns foram mortos, outros perseguidos e muitos exonerados de suas funções. Trata-se de um tipo de resistência muito pouco conhecido por grande parte das pessoas. A segunda, com certeza a mais dura de todas, é dedicada ao olhar das crianças: são relatos e desenhos feitos em escolas ou no exílio e que ajudam a contar o clima que se instalou no Chile entre 1973 e 1990 do ponto de vista da inocência rompida.

Mesmo tendo tão pouco tempo de existência, o espaço já é uma referência para os chilenos, principalmente pesquisadores, uma vez que o museu oferece um Centro de Documentação e Biblioteca bastante organizado e produtivo. Qualquer historiador, no Chile, que estuda o período da ditadura certamente já fez do CEDOC do Museu da Memória a sua base avançada para estudos e pesquisas. Além disso, o museu vem se tornando um ponto obrigatório para turistas. É possível escutar muitas línguas dentro do museu, inclusive o português. (nos últimos anos, segundo dados oficiais, os brasileiros são os turistas número 1 do Chile). Com isso, o objetivo principal do museu começa a ser alcançado, ou seja, divulgar esta memória do terror para o maior número de pessoas e envidar espaços para que algo do gênero nunca mais possa ocorrer novamente. Na época da inauguração, a então presidente do Chile, Michelle Bachelet, ela própria detida e torturada durante a ditadura, considerou que o museu é “um símbolo poderoso do vigor do Chile unido (…) na promessa de não voltar a conhecer uma tragédia como esta”. E adiantou: “Não podemos mudar o passado, mas sim aprender com o que foi vivido”.

Um país dividido?

Embora a crença em um país unido – sentimento bastante trabalhado durante todo o ano de 2010, por conta das festas do bicentenário da independência – encontre muitos monolíticos. Na população, ainda há muitos os que defendem o regime de Pinochet. Coisa que até mesmo os próprios críticos de Pinochet reconhecem. Miguel, responsável pela segurança do Museu da Memória, é um deles: “Aqui no Chile, somos 50%, 50%”.

Talvez não seja exatamente nesta proporção. Mas o fato é que os simpatizantes de Pinochet existem e são bastante ativos. Exemplo disso é a Fundação Pinochet, fundada em 1995 com o objetivo “difundir às novas gerações, a obra e o legado do Governo do Presidente Pinochet”. Recentemente, uma das principais ações da Fundação foi a abertura do “Museo Pinochet”, em Santiago, que reúne centenas de objetos e documentos que pertenceram a Pinochet, falecido em 2006. O Café História tentou visitar o Museu, mas não obteve sucesso. O Museu, que exige agendamento prévio, sequer deu alguma resposta à nossa equipe de reportagem, nem uma palavra, mesmo tendo sido efetuados todos os requisitos de visita, o que pode ser um sinal de que Pinochet, ao contrário do que se pensa, não goza assim de tanta simpatia entre tantos chilenos.

O próprio site da instituição (http://www.fundacionpresidentepinochet.com/museo.htm) é discretíssimo, reservado, prioritariamente, aos “amigos e sócios” da Fundação Pinochet. Nas ruas, poucos conhecem a instituição.

De qualquer forma, não é fácil explicar como um regime que fez tantas vítimas, que empregou tantos meios violentos e repressivos na luta política, ainda goza de algum prestígio. Alguns alegam a estabilidade econômica vivida pelo Chile no auge do governo Pinochet. Outros, alegam que esta realidade reflete a organização partidária no país, onde a direita é muito bem articulada. Seja qual for a razão, a memória continua sendo um objeto em disputa no Chile, elemento chave para se compreender como uma das mais sangrentas ditaduras militares da América do Sul ainda está presente no dia a dia de milhões de pessoas, no museu pessoal que cada um possui dentro de si.

Turismo Cultural

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A Lógica do Turismo: Literatura + Cinema = Cultura = Turismo

A edição deste final de semana do suplemento, o EU & FIM DE SEMANA d jornal Valor Econômico está dedicada às letras, “Estação das Letras”, para falar de livros, editoras, livrarias e dos dois mais importantes festivais de literatura do Brasil, a Bienal do Livro de São Paulo e a FLIP.

Por ser fator de incentivo ao turismo cultural e de divulgação de um dos mais importantes patrimônios históricos do Estado do Rio de Janeiro, resolvemos reproduzir parte da matéria e sobre ela ouvir a opinião do Presidente da Comissão de Turismo da Assembléia Legislativa, deputado João Pedro.

A jornalista Maria da Paz Trefaut, de São Paulo, produziu a matéria, que trata, na abertura, do resultado de duas pesquisas sobre a evolução do indicador de leitura no Brasil, uma do Observatório da Leitura – “Retratos da Leitura no Brasil” e outra da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. As duas indicam que dobrou, na última década, o número de livros lidos por habitante, um dado impressionante.

Mas, vamos aos comentários da jornalista sobre a Festa Literária de Paraty: “A FLIP, concentrada em apenas cinco dias, é mesmo uma verdadeira festa (…). Em 2003, quatro meses antes do início da 1ª FLIP, os organizadores temiam não reunir público para o evento, mas 500 pessoas compareceram. Na segunda edição havia 10 mil e hoje o festival reúne 20 mil pessoas e movimenta indiretamente R$ 4,76 milhões na economia do município, que tem 100% de ocupação nos hotéis e pousadas”.

thumb a logica do turismo literatura cinema cultura turismoA próxima edição da FLIP acontecerá entre os dias 4, uma quarta-feira e 8 de agosto, domingo e contará, na abertura, com uma conferência prevista para às 19 horas e um show de abertura, para as 21:30.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está na agenda da Conferência com comentários sobre Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre. Luiz Felipe de Alencastro será o debatedor. Edu Lobo, Renata Rosa, Marcelo Jeneci e o Quarteto de Cordas da Academia da OSESP farão o show de abertura, que terá Arthur Nestrovsky na Direção Artística.

Em seguida, na quinta, sexta e sábado até as 19h30min, acontecerão as “mesas de debate” sobre variadas obras e no sábado, a partir das 21h45min o momento que julgamos áureo, com a exibição do filme José e Pilar, com cenas inéditas. O trailer está no Youtube, no endereço:

A nosso pedido, o Presidente da Comissão de Turismo da ALERJ fez um rápido comentário sobre a FLIP, enquanto caminhava com o Fernando Gabeira pelas trilhas da estrada de ferro Grão Pará, em Petrópolis, que ele deseja reativada como medida de incentivo ao turismo na região.

“O que muita gente talvez não se lembre ou desconheça é o motivo da criação da Festa Literária de Paraty. Ela é produto do trabalho de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, uma OSCIP, a Associação Casa Azul criada com o objetivo de ajudar o Poder Público a encontrar soluções para os problemas graves de infra-estrutura que tem Paraty. Uma vez criada, a Festa tem repercussão internacional e leva para o mundo todo o patrimônio histórico da cidade. A FLIP é, portanto, uma prova inconteste da relação íntima que tem o turismo com todas as políticas públicas. A Casa Azul, ao buscar solução para os problemas de infra-estrutura da Paraty, encontrou a liga entre cultura e turismo e da química, nasceu o sucesso da FLIP”.

João Pedro, em campanha pela reeleição, este ano não poderá participar da Festa, mas faz uma recomendação: “Aproveitem a dica e assistam José e Pilar, Retrato de Uma Relação, com direção de Miguel Gonçalves Mendes. Uma bela e real história de amor retratada pelo casal José Saramago e Pilar Del Rio que tem um presente adicional: ouvir Aquiellos Ojos Verdes na voz de Nat King Cole. A programação da FLIP diz que o filme será exibido com cenas inéditas. Dá até vontade de deixar a campanha e seguir pra lá”.

Turismo Cultural

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Carnaval e Política, uma soma que quase sempre dá certo

O bloco “Boca Maldita” sairá no sábado dia 23 de janeiro. Os que quiserem partir com ele deverão estar na Prado Júnior, em Copacabana, às 15 horas.

O “Vira-Lata” sairá no dia seguinte para desfilar no Leblon e o “Bloco do Arrasta”, no último dia do mês, domingo, dia 31, concentrando-se na Rua Jornalista Orlando Dantas, no Flamengo. E, assim será até o dia 13 de fevereiro, quando sairá a famosa “Banda de Ipanema”, e no último dia de carnaval com “Chopinho do Paula Freitas”, que sai em Copacabana.

Estes e outros eventos fazem parte do calendário dos blocos carnavalescos da Cidade do Rio de Janeiro, que o Partido Socialismo e Liberdade, PSOL, reuniu num guia, o “Rio que Encanta 2010” e lançará hoje, sábado, dia 16, a partir das 19h, na Praça Mauro Duarte, confluência das ruas Fernandes Guimarães e São Manuel, em Botafogo.

destaque carnaval e politica 01O evento será animado pela Orquestra Voadora, grupo formado, em 2008, por músicos originados de diversos blocos de carnaval de rua.  Os vôos da orquestra – apelido das apresentações do grupo – são passeios pelas mais inusitadas vertentes musicais, de sambas clássicos de consagrados bambos brasileiros, ao rock, passando por trilhas sonoras de filmes e desenhos animados. Compõe o grupo: Daniel Paiva, Sérgio Genovencio, Tiago Rodrigues e Vicente Quintela (Trompetes); Carlos Molina, Juliano B. Pires, Leonardo Campos e Márcio Sobrosa (Trombones); André Ramos (Sax Barítono); Tim Malik (Tuba); André Fioroti, Hugo Prazeres, Julio Batista, Lula Mattos e Marcelo Azevedo (Percussão); Bárbara Bono e Tatiana Domais (Produtoras).

O guia “Rio que encanta” está na 11ª edição e contém, além do calendário de apresentação dos blocos de rua, dicas de locais onde o samba e o choro acontecem na cidade durante o carnaval.

Turismo Cultural

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“Pedacinho do Céu”

“Pedacinho do céu” é apelido carinhoso de uma cidade que, no sul-fluminense, cultua a música na bela expressão das serestas. Conhecida também como “Capital Mundial da Seresta”, o distrito valenciano de Conservatória foi notícia no twitter, no sábado, por conta do Alexandre Campbell. Ele avisou: “Daqui a pouco arrumo as malas e parto com a Cynthia, minha esposa, para Conservatória, a cidadezinha onde eu nasci e da qual sonho ser prefeito um dia”.

Conservatória nasceu com o nome de Santo Antônio do Rio Bonito. No século XIX, a cana-de-açúcar e o café formavam a base do desenvolvimento econômico local. Doada aos índios Ararís, a localidade recebeu o nome de Conservatória, que significa Registro dos Índios, termo que até hoje Portugal utiliza para denominar os cartórios. Com o declínio do café, Conservatória passou a ser um centro para tratamento da saúde, em razão do clima.

Deste modo e com o tempo, o turismo ocupou papel importante na composição da pauta do desenvolvimento econômico local e as serestas, o incentivo maior à visita de turistas.

As residências em Conservatória não são numeradas, mas identificadas por plaquinhas com nome de músicas. Há, por exemplo, o endereço “Chão de Estrelas”, “Saudosa Maloca”, “Maringá” e outros tantos.

A Ponte dos Arcos é um dos mais belos pontos turísticos da cidade. Construção dos escravos no ano de 1880, ela é composta com cantaria, óleo de baleia, chumbo fundido, areia, ferro e pedras. Naquele tempo, o óleo de baleia substituía o cimento, elemento ainda desconhecido. A ponte foi desativada em 1961. Mede 55 metros de comprimento, 12 metros de altura e 4 metros de largura.

Outra visita interessante é à Igreja Matriz de Santo Antônio, dedicada ao padroeiro de Conservatória. Construída em 1803, ela foi totalmente destruída em 1838, em razão de um incêndio. Luiz Damasceno Ferreira em seu livro “História de Valença”, fala sobre a Igreja Matriz. Aqui segue um resumo.

Na capela, em 1809, foram batizadas 59 pessoas, entre elas, 42 índios, um deles o cacique Tanguará. Ignácio de Souza Werneck e Anna Joaquina, irmã do capelão Manoel Gomes Leal foram os padrinhos.

Depois do incêndio de 1838, as celebrações, as Missas, Casamentos e Batizados, passaram a ser realizados nas capelas das fazendas próximas. Nesse mesmo ano, o Curato de Santo Antônio do Rio Bonito foi elevado à categoria de Paróquia, e, em 19 de março, Santo Antônio do Rio Bonito passou a ser Freguesia.

Por iniciativa do comendador Anastácio Leite Ribeiro, de Francisco Leite Ribeiro e de Floriano Leite Ribeiro, entre outros, os moradores mais abastados da região resolveram erguer um templo paroquial para o padroeiro Santo Antônio, em substituição à capela incendiada. Foi feita uma subscrição para angariar donativos, e a iniciativa foi um sucesso; foram arrecadados mais de 23 contos de réis.

Além dessa subscrição, o governo da província do Rio de Janeiro, pelo decreto nº 613, de 13 de outubro de 1853, autorizou um auxílio mensal de trezentos mil réis para dar continuidade à obra, que contou com o trabalho de engenheiros, pedreiros, carpinteiros e artesãos vindos de Portugal, mais a mão de obra dos escravos locais.

As pedras para a construção da Matriz foram trazidas da fazenda São Luiz, que foi de propriedade da família Rocha, utilizando-se um veículo muito comum na época – a Zorra – que era um gancho de árvore puxado por uma corrente atrelada à canga de uma junta de bois.

A Matriz tem 23 metros de frente, 36 de fundos e 25 de altura, no seu ponto mais alto. É uma obra toda em pedra de cantaria, sendo que as pedras das paredes têm 1,60 m de espessura. Foi inaugurada depois de 18 anos de trabalhos demorados, e sofreu sua primeira reforma em 1874. Em 16 de outubro de 1893, a Câmara Municipal de Valença concedeu 1.000$000 para o término das obras (ornamentação dos altares e construção do púlpito).

Internamente, o templo dispõe, atualmente, de espaçosa Nave Central, mais o amplo Presbitério com um lindo Altar-Mor e mais quatro altares laterais construídos com a participação dos fiéis que os dedicavam à veneração dos seus santos de devoção.

Do lado direito do Presbitério fica a Capela do Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores, que hoje abriga o Museu Sacro da Paróquia. Do lado esquerdo, a Capela do Santíssimo Sacramento, e que também é dedicada ao Sagrado Coração de Jesus.

Ao entrar na Igreja, podemos ver, à esquerda, uma primitiva pia batismal, toda em mármore e à direita, a escadaria que dá acesso ao coro e aos sinos.

Voltando um pouco no tempo, vamos falar da construção do Adro da Igreja, muito espaçoso, com um muro construído, em grande parte, também em pedras, principalmente suas colunas que são em pedras artisticamente trabalhadas. A comunicação do Adro com a rua, é feita por uma escada de cinco degraus, também de pedra.

Em 1938, foi realizada a substituição do antigo piso de madeira pelo atual, em ladrilhos. Este trabalho foi realizado pelo construtor João Brandão.

Nos anos 70 foi feita a reforma do telhado. Por falta de conhecimento histórico, foram trocadas as telhas coloniais originais pelas atuais, mais modernas, o que descaracterizou um pouco o estilo da Igreja. Nessa mesma ocasião, o artista Mario Luiz da Silva, cuidou da restauração de diversas imagens.

Consta nos livros da Igreja, que a Paróquia teve diversas irmandades, sendo a Irmandade do Santíssimo Sacramento, a primeira a ser fundada (15 de julho de 1853), por Anastácio Leite Ribeiro.

Em cinco de dezembro de 1902, foi criada a Irmandade do Sagrado Coração de Jesus, quando era vigário o Padre Ambrósio Amâncio de Souza Coutinho. A primeira presidente desta Irmandade foi a Sra. Belmira Carlota de Almeida. Existe ainda hoje, no Museu da Igreja, uma foto emoldurada das fundadoras desta Irmandade.

Ao festejarmos os 150 anos do lançamento da pedra fundamental da atual Matriz, foi elaborado um projeto ambicioso para a reforma geral da Igreja. Esse projeto contou com a iniciativa do Padre Edilson de Barros, atual pároco, e com o apoio e inspiração do seu antecessor, Padre Medoro de Oliveira. O projeto foi elaborado com a supervisão técnica da Dra. Isabel, diretora do Museu da Era, de Vassouras, e responsável regional do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico.

A reforma só foi possível graças ao apoio da Prefeitura Municipal de Valença, do Grupo Casa Síria, de Barra do Piraí. Registre-se também o trabalho incansável de Paulinho Nogueira, seu filho Marcelo Nogueira, Ademir, Ricardo, Rubens, Paulo Henrique (Lingüinha), dentre tantos.