Desde 1992, as agências de turismo com sede no Rio de Janeiro oferecem passeios turísticos na favela da Rocinha, maior favela da América Latina. A idéia de utilizar as favelas como ponto turístico e motivo de marketing vem, no entanto, de mais tempo e mais recentemente, três fatos confirmaram o tema: o primeiro, sobre a decisão de um empresário, Daniel De Plá, de vender ingressos para uma festa de passagem de ano numa laje na favela Pavão Pavãozinho localizada em Copacabana. Entrevistado pelo site www.sidneyrezende.com.br , o empresário afirma: “Em 2007, alguns moradores me convidaram para assistir à queima de fogos numa laje. Achei a vista tão deslumbrante que quis proporcionar esse momento aos turistas. No ano seguinte, procurei algumas agências com esse projeto, mas elas tiveram resistência pela falta de segurança. Só este ano, com a chegada de uma Unidade de Polícia Pacificadora, uma aceitou”. Cada convite será vendido a R$ 250,00 com dinheiro a comida e camiseta.
O outro anúncio vem do lançamento do primeiro CD do grupo Favela Blue, no próximo dia 15, na Lapa, bairro carioca de crescente prestígio turístico. O grupo é formado pelos músicos Amu (guitarra e voz), Marcello Gabbay (contrabaixo e voz), Bernardo Prata (gaitas) e Pablo Nascimento (bateria e percussão) e as composições misturam samba, baião e blues. Algumas faixas cantam a beleza dos bairros cariocas. A notícia e os detalhes estão melhores no blog http://bomgadamata.wordpress.com , que disponibiliza uma das principais músicas do CD: “Rua do Catete”. O refrão diz “Rua, Rua do Catete, tanta história para cantar…”.
O terceiro vem da presença da Central Única de Favelas, uma iniciativa de artistas e escritores que residem nas favelas do Rio de Janeiro, na edição de 2009, da Feira de Música Brasil. A Feira, maior evento do gênero na América Latina, teve início na quarta-feira, dia 09 e seguiu até hoje, dia 13 de dezembro. A CUFA comparece e participa com um stand, que tem a favela como tema. O stand expõe CDs, DVDs, camisetas, adesivos, e outras produções criadas na favela e apresenta eventos, festivais de cinema, música hip hop e todas as expressões que refletem a diversidade encontrada no talento dos moradores dos grandes aglomerados dos centros urbanos das cidades onde se encontram as Centrais da CUFA.
Sobre o tema, os pesquisadores Paulo Serson e Mário Jorge Pires elaboraram “A Experiência Turística da Favela da Rocinha”, trabalho que está no volume 02 da primeira edição da Revista Eletrônica Turismo Cultural, www.eca.usp.br/turismocultural, instrumento de divulgação de trabalhos científicos sobre o turismo cultural.
“A descoberta do que conduz os turistas aos morros cariocas será importante elemento para avaliar qualitativamente a atividade turística empreendida, abrangendo desejos e expectativas dos visitantes…”, informam os pesquisadores na introdução.