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FITUR 2010: Espanha. “O Brasil pensa pequeno”

Durante quatro dias, de 20 a 24 de janeiro, aconteceu em Madrid, Espanha, a Feira Internacional de Turismo, FITUR, que conta 30 anos de existência, criada para debater o tema e promover instituições, destinos turísticos em todo o mundo, empresas operadoras, agências de viagem, o trabalho de consultores e especialistas.

O Presidente da Comissão de Turismo da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, deputado João Pedro, esteve presente e de lá, no dia 23, sábado, véspera do encerramento da FITUR, por telefone e e-mail, comentou o evento:

“A Feira acontece no complexo de feiras Juan Carlos I, em Madri, um excelente espaço, talvez menor que o nosso RIOCENTRO. O movimento por aqui é grande – são 90 mil metros quadrados de área ocupada em nove pavilhões, que abrigam representações de diversos países do mundo e mais de 12 mil empresas. Dizem que por aqui estão mais de oito mil jornalistas vindos de todos os lugares do mundo. Eu não contei, mas é fácil verificar, pelos crachás, que eles, de fato, formam uma multidão. Acredita-se, que até o último dia, 130 mil pessoas visitem a Feira. A confusão de vozes passa a impressão de uma Torre de Babel. As empresas do país sede, Espanha, ocupam quatro dos nove pavilhões. Sucesso absoluto”.

E o Brasil? Perguntamos. João Pedro respondeu: “O Brasil está no pavilhão 4 e conta com um grupo de abnegados atendentes, que tentam, com trabalho duro, diminuir a diferença na qualidade dos serviços apresentados. Lamentavelmente, o Brasil e, em especial, o Rio de Janeiro, pouco aproveitaram a oportunidade. Quase nada do carnaval carioca, falha justificada com a desculpa do risco de transmitir a imagem, em razão das mulatas, de turismo sexual. Um absurdo preconceito, que busca aproximar da idéia de um bordel, a imagem  das belezas humanas que tem o Rio e as Escolas de Samba. Enquanto, por aqui, há distribuição farta de tecnologia moderna de informação, com entrega de CDs e Pen Drives, o Brasil, com exceção do stand do Maranhão, distribui material em papel, que sequer é reciclável. Os nossos pontos fortes, a música e a cultura, principalmente, a afro, estão ausentes. Os stands do Brasil desafinam também no trabalho de captação de novos turistas. O Brasil está aqui com o papel de agente passivo, a aguardar os que queiram, por vontade própria, conhecer o que somos em razão do turismo”.

Sobre os temas principais, João Pedro explicou: “Em resumo, dois temas ocuparam os debates. Primeiro, o meio-ambiente, com decisões importantes, para, principalmente, promover a economia de energia e emissão de gases poluentes, com metas fixadas para locais de hospedagem e depois, com o mesmo grau de importância, a utilização intensiva da internet como meio de conhecimento prévio dos locais de visitação e ferramenta para reservas, divulgação e comentários de avaliação da qualidade dos serviços. Nos diversos stands da feira, verifica-se com facilidade que a internet provoca uma revolução operacional no turismo, com conseqüências irreversíveis sobre o trabalho dos agentes de turismo. Os sites especializados desempenham muito bem o papel de agentes de informações, indicações e reservas de vôos e hotéis”.

Como se percebe esta revolução? João Pedro citou exemplos: “Diversos sites prestam serviços próprios de agentes de turismo. São serviços gratuitos e de qualidade. Há, por exemplo, o endereço www.trip.com, que utiliza vídeos com excelente qualidade profissional, para apresentar mapas interativos de destinos turísticos e de hotéis e pontos de hospedagem em todo mundo, e o www.mirayvuela.com, que captura preços de passagens, faz comparações para identificar os melhores preços. O site captura informações, identifica preços e imediatamente faz as reservas. Um novo conceito em agência”.

thumb fitur 2010O agente de viagem, em extinção? “De modo algum”, explica João Pedro. “Na verdade”, diz ele, “inaugura-se um novo conceito de agente de turismo, que sai do papel de transmissor de informações e dados para o de construtor de conteúdos, que precisam de valor diferencial daqui por diante. As mídias sociais, utilizadas em larga escala pelos modernos agentes de turismo, dependem, para o seu sucesso, de conteúdos bem elaborados, com informações trabalhadas a partir dos conceitos de qualidade, transparência e, sobretudo, honestidade nas informações”.

Nota para a Feira? “Dez”, indicou João Pedro. “E, digo mais: está cada vez mais evidente a necessidade do Brasil, de suas organizações privadas e públicas, pensaram com mais profissionalismo e técnica no turismo como atividade econômica essencial. Aqui na Espanha, o trabalho apresentado pela FITUR, deixou claro que o turismo é a atividade econômica mais preparada para enfrentar as crises, porque, com velocidade transforma em investimento de elevado retorno, o pouco ou o muito da poupança destinada ao descanso, ao lazer, ao entretenimento, e mesmo ao trabalho que impõe viagens constantes. O Brasil tem muito ainda que aprender neste campo. Por aqui, se provou que é possível, em 10 anos, duplicar o número de empregos no turismo, quando os projetos são bem planejados. É possível crescer em percentuais maiores do que os percentuais de crescimento do PIB. E, o uso intensivo da tecnologia é providência essencial, que depende, sobretudo, de treinamento, de se compreender com clareza como funciona o mercado do turismo e agir com rapidez”.

Estadão noticia turismo ferroviário

thumb turismo ferroviario

Na edição de terça-feira, 12 de janeiro, o jornal Estado de São Paulo publicou no Suplemento Viagem & Aventura a matéria “ De trem pelas serras capixadas”.

Desde sua criação, o tudoeturismo dedica espaço para o turismo ferroviário, por compreender que é alternativa inteligente, barata e, sobretudo, motivadora para o turismo.

O Estado do Rio de Janeiro possui projetos interessantes para recuperação de sua malha ferroviária, principalmente para os municípios de maior apelo turístico como é caso a cidade de Petrópolis, que conhece um forte movimento da sociedade civil neste sentido.

Em razão do interesse do tema, o tudoeturismo excepcionalmente reproduz, na íntegra, a matéria publicada pelo Estado de São Paulo.

“O turismo ferroviário é tema que tem ocupado um bom espaço no tudoeturismo, por ser projeto de No cenário, toda a exuberância da mata atlântica, repleta de cachoeiras e muito verde. E cidadezinhas colonizadas por açorianos, alemães e italianos, que ainda mantêm costumes e tradições de seus antepassados. Tudo para ser apreciado devagar, em um passeio pelo Trem das Montanhas Capixabas. A partir do dia 23, a composição sairá de Viana, a 22 quilômetros de Vitória, para atravessar a região serrana do Espírito Santo.

A Ferrovia Centro Atlântica (FCA), que tem a concessão da linha, gastou R$ 5 milhões para recuperar o trajeto, que há 20 anos era usado apenas para transporte de cargas. Outros R$ 700 mil foram investidos pela Serra Verde Express, responsável pela operação turística, que trouxe vagões de Curitiba para percorrer os 46 quilômetros do passeio.

Viana, portal da serra capixaba, teve forte influência açoriana na sua colonização, presente na arquitetura das casas e no modo de vida de seus moradores. A estação de trem, fundada em 1895, é um dos atrativos turísticos, com seus belos jardins floridos. Ali há um pequeno acervo de máquinas, equipamentos e móveis ferroviários. O destaque fica por conta da locomotiva de 1917, que pertenceu ao exército francês na 1ª Guerra Mundial e foi adquirida pela prefeitura em 2006.

Outro cartão-postal do município é a Igreja da Nossa Senhora da Conceição, também no centro. De arquitetura barroca, foi construída pelos colonos açorianos entre 1815 e 1817.

Depois do tour por Viana, é hora de embarcar rumo às montanhas. Da janela, a oportunidade de observar pontes, túneis e animais, que pastam próximos a casebres e plantações de café.

A parada seguinte é Domingos Martins, cidade de fortes raízes alemãs. O clima ali é bem mais ameno: os termômetros registram temperatura média de 12 graus – no inverno, pode chegar a 2 graus. Um convite irrecusável para apreciar queijos, salames e pães produzidos no local, acompanhados de um bom vinho. É fácil encontrá-los nas lojinhas da Rua de Lazer, a via comercial mais famosa dali.

O turismo ecológico também deu fama a Domingos Martins. É no Parque Estadual da Pedra Azul (no km 89 da BR-262) que os visitantes encaram trilhas ou relaxam nas piscinas naturais. Não faltam nos arredores hotéis, restaurantes e várias casas de chá. Os mais aventureiros podem optar ainda pelo rafting de sete quilômetros no Rio Jucu.

A 530 metros de altitude e a 47 quilômetros da capital está Marechal Floriano, ponto final do roteiro. Conhecida como Cidade das Orquídeas, não é difícil se deparar com várias espécies da planta, além de bromélias e árvores centenárias. A pedida é encarar a cavalgada por entre cachoeiras e pequenos lagos escondidos pela serra.

Ali, é a cultura italiana que impera. E está presente tanto nas massas caprichadas, servidas nas pousadas e restaurantes, como na forma alegre de recepcionar os turistas”.

Turismo de Experiência, uma experiência interessante

thumb turismo de experienciaO Jornal Valor Econômico destinou na edição de final de semana, o espaço de um caderno especial ao turismo e, no conjunto, um espaço para o “turismo de experiência”, que incentiva a interação do turista com os costumes da região que ele visita e com os seus moradores.

Em agosto de 2008, li pela primeira vez algo sobre o “turismo de experiência” no endereço, Blog Dimas Lopes, que pertence ao jornalista e escritor mineiro Dimas Lopes. Ele abordou o tema no corpo dos comentários e indicações para o Circuito das Grutas de Minas.

O Valor Econômico ao se referir ao “turismo de experiência” afirma: “As ações incluem hospedagem na casa de moradores de comunidades da região amazônica, passeios em cidades históricas do Rio de Janeiro e degustação de vinhos de produção regional, no sul do país. Empresas de Belém (PA), Bento Gonçalves (RS) e Petrópolis já aderiram à idéia. O Ministério do Turismo e o SEBRAE estimulam as iniciativas.

O repórter ouviu alguns operadores das agências de viagens e entre eles, Socorro Graça, da agência Vitória Régia, de Belém. Ela declarou: “Experiências observadas em outras regiões mostram que o resultado dessas ações foi uma nova dinâmica de desenvolvimento do turismo. As iniciativas fazem com que os atores da cadeia produtiva inovem e incrementem as ofertas turísticas”.

Em outra reportagem, o Valor Econômico aborda ainda a qualidade nos serviços de hotelaria, em matéria não assinada, mas que mereceu a primeira página do caderno especial. Com o título “Tratamento VIP”, a matéria sinaliza uma mudança no comportamento dos turistas, no que diz respeito à hospedagem: “Qualidade e conforto são”, diz o jornal, “atributos obrigatórios na hotelaria e perderam força como argumento para atratividade. Os turistas, cada vez mais exigentes, buscam experiências diferentes quando partem em férias”.

No centro da matéria, o jornal cita dados interessantes de uma pesquisa do Ministério do Turismo – “Hábitos de consumo do turismo do Brasileiro”. Vamos a eles: quase 80% dos turistas que viajaram nos últimos dois anos o fizeram por conta própria; 75,1% negociaram direto com a pousada ou hotel; 57,4% deles voltaram a locais já visitados e 41,5% buscaram informações sobre destino e hospedagem, com parentes e amigos. E mais: 37,4% dos brasileiros viajam para o Nordeste; 33,9% dos turistas buscam beleza natural, natureza; 39,1% usam a internet para obter informações sobre destinos e 21,2% viajam por causa da praia.

Búzios ocupa um pequeno espaço entre as matérias, com a notícia de crescimento do turismo na Cidade em razão do estímulo patrocinado pela novela Viver a Vida, de Manoel Carlos.

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Favela: turismo, cultura e marketing

Desde 1992, as agências de turismo com sede no Rio de Janeiro oferecem passeios turísticos na favela da Rocinha, maior favela da América Latina. A idéia de utilizar as favelas como ponto turístico e motivo de marketing vem, no entanto, de mais tempo e mais recentemente, três fatos confirmaram o tema: o primeiro, sobre a decisão de um empresário, Daniel De Plá, de vender ingressos para uma festa de passagem de ano numa laje na favela Pavão Pavãozinho localizada em Copacabana. Entrevistado pelo site www.sidneyrezende.com.br , o empresário afirma: “Em 2007, alguns moradores me convidaram para assistir à queima de fogos numa laje. Achei a vista tão deslumbrante que quis proporcionar esse momento aos turistas. No ano seguinte, procurei algumas agências com esse projeto, mas elas tiveram resistência pela falta de segurança. Só este ano, com a chegada de uma Unidade de Polícia Pacificadora, uma aceitou”. Cada convite será vendido a R$ 250,00 com dinheiro a comida e camiseta.

O outro anúncio vem do lançamento do primeiro CD do grupo Favela Blue, no próximo dia 15, na Lapa, bairro carioca de crescente prestígio turístico. O grupo é formado pelos músicos Amu (guitarra e voz), Marcello Gabbay (contrabaixo e voz), Bernardo Prata (gaitas) e Pablo Nascimento (bateria e percussão) e as composições misturam samba, baião e blues. Algumas faixas cantam a beleza dos bairros cariocas. A notícia e os detalhes estão melhores no blog http://bomgadamata.wordpress.com , que disponibiliza uma das principais músicas do CD: “Rua do Catete”.  O refrão diz “Rua, Rua do Catete, tanta história para cantar…”.

O terceiro vem da presença da Central Única de Favelas, uma iniciativa de artistas e escritores que residem nas favelas do Rio de Janeiro, na edição de 2009, da Feira de Música Brasil. A Feira, maior evento do gênero na América Latina, teve início na quarta-feira, dia 09 e seguiu até hoje, dia 13 de dezembro. A CUFA comparece e participa com um stand, que tem a favela como tema.  O stand expõe CDs, DVDs, camisetas, adesivos, e outras produções criadas na favela e apresenta eventos, festivais de cinema, música hip hop e todas as expressões que refletem a diversidade encontrada no talento dos moradores dos grandes aglomerados dos centros urbanos das cidades onde se encontram as Centrais da CUFA.

Sobre o tema, os pesquisadores Paulo Serson e Mário Jorge Pires elaboraram “A Experiência Turística da Favela da Rocinha”, trabalho que está no volume 02 da primeira edição da Revista Eletrônica Turismo Cultural, www.eca.usp.br/turismocultural, instrumento de divulgação de trabalhos científicos sobre o turismo cultural.

“A descoberta do que conduz os turistas aos morros cariocas será importante elemento para avaliar qualitativamente a atividade turística empreendida, abrangendo desejos e expectativas dos visitantes…”, informam os pesquisadores na introdução.

Turismo Alternativo

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