Arquivo da Categoria: ‘Desenvolvimento’

Parabéns, Rio de Janeiro!

“Dona Catarina mandou Estácio de Sá para não só visitar a costa, mas também para, de uma vez, os franceses, fundando ali uma cidade debaixo das determinações do Governador Mem de Sá” (Anais do Rio – Baltazar da Silva Lisboa – Herbert Ewaldo – Mem de Sá – Terceiro Governador Geral – 1557 – 1572).

“No dia 1º de março de 1565 foi iniciada a edificação da cerca que colocaria os portugueses ao abrigo do ataque dos tamoios. Estácio de Sá, na presença de Manuel da Nóbrega e de José de Anchieta, fundou uma povoação instalada sob a evocação de São Sebastião, em lembrança do patrono do jovem Rei de Portugal, Dom Sebastião (1557-1578), sob cujo signo se erguia a nova cidade São Sebastião do Rio de Janeiro. (http://www.marcillio.com/rio/hifundac.html)

“Vai, meu irmão; pega esse avião; você tem razão de correr assim, desse frio, mas beija  meu Rio de Janeiro, antes que um aventureiro lance mão…” (Samba de Orly, de Chico Buarque, Toquinho e Vinicius de Moraes).

Para expulsar os franceses que invadiram o Brasil e acalmar os Tamoios, Estácio de Sá fundou o Rio de Janeiro. Vários séculos depois, Chico, Toquinho e Vinicius cantaram o risco da chegada de um aventureiro, que viria para lançar mão da cidade.

E, cumpriu-se bem mais do que o medo esperado, porque não um, mas vários aventureiros agiram com mãos fortes sobre o Rio de Janeiro, para, primeiro, retirarem dele a qualidade de Capital da República e depois a de Cidade-Estado. Fizeram isso, sem mais e sem explicações.

Todavia, o Rio de Janeiro suportor as afrontas, titubeou, balançou, mas não caiu. Manteve-se forte e, passo a passo, recupera a força, a dignidade. Ele fez das agressões, a força que o movimenta.

Parabéns, Rio.

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Angeline Tostes e o carnaval de Miracema

“Proprietária de grande extensão de terra no noroeste e no norte do Estado do Rio de Janeiro no século XVII e XVIII, Dona Ermelinda Rodrigues Pereira iniciou, com a decisão de doar parte de suas propriedades para formação da freguesia de Santo Antônio, a criação do município de Miracema, hoje com 26 mil habitantes.

A cidade compõe a Região Turística Noroeste das Águas, classificação estabelecida pela Companhia de Turismo do Estado do Rio de Janeiro, TURISRIO, com base nos pólos turísticos regionais.  Ela possui pontos turísticos bem interessantes como são a Cachoeira da Cara, com pequenas cascatas formadas pelos desníveis do terreno; a Cachoeira do Conde, do Moura e do Paraíso Tobias. Outro ponto a merecer visita é o Açude Vale do Cedro, lago artificial cercado por árvores de grande porte.

Miracema abençoa a cultura com o Centro Histórico da Cidade, que tem importantes exemplares de arquitetura eclética, todos construídos por mestres artesãos italianos. Há também a Igreja Matriz Santo Antônio, inaugurada em 1900.  Em nossa última visita a cidade, conhecemos a biblioteca especializada em Ciências Humanas, que possui um excelente acervo com material que recupera a memória de Miracema.

Os calendários estaduais dizem que Miracema oferece duas festas populares, uma em maio, que comemora o aniversário da cidade e abriga a Exposição Agropecuária Industrial e em junho, para a festa do padroeiro, Santo Antônio. Deveria abrigar também o carnaval, que este ano chegou às ruas de Miracema com a alegria dos blocos e união das famílias e turistas.

Soubemos do sucesso do carnaval de Miracema pelo twitter, numa das mensagens postadas por Angeline Tostes, que ontem inserir os detalhes no blog http://blogovagalume.blogspot.com. Parte do texto, tomamos a liberdade de reproduzir:

“Fizemos algumas postagens para conhecer a opinião do leitor vagalume sobre o Carnaval de Miracema 2010(…).

Conversamos recentemente com um amigo que é especialista em entretenimento, turismo e coisas do gênero e a conclusão a que chegamos é que festas dessa monta são cíclicas. Vamos explicar o motivo. Assim como no final da década de 80 começou a surgir a moda do axé music, da música baiana, do carnaval em Salvador, nota-se que essa moda começa a perder força. A prova disso está no ressurgimento do carnaval de rua da capital fluminense, que esse ano contou com um público que superou o carnaval de Salvador.

Assim como a cidade do Rio de Janeiro investe no carnaval de rua, entendemos que não há carnaval de rua melhor do que o carnaval do interior. Comenta-se muito sobre as pessoas do interior buscarem a praia no carnaval. Isso de fato acontece. Porém, também ocorre de muitas pessoas buscarem o carnaval de Ouro Preto-MG. E aí?

E aí, é que necessitamos investir em nosso carnaval, na ressuscitação dos grandes carnavais miracemenses. O retorno da Escola de Samba Unidos no Samba e na Cor é por si só uma demonstração de que as coisas começam a melhorar. Melhor ainda quando assistimos a um belíssimo desfile das escolas de samba que já vêm lutando pela recuperação do carnaval como ‘Os Magnatas’, ‘Alto do Cruzeiro’, ‘Maçarico’, etc.

Se a reunião da tradição com a competência resultar em grandes desfiles, com certeza essa etapa do trabalho está completa. Até banda com marchinhas estava lá, isso já vem de alguns anos. E o que falta? Ah! Pelo que observamos nesse carnaval falta a população miracemense acreditar que temos o melhor carnaval do estado e contribuir com essa união de forças. Os blocos estavam maravilhosos, mas só desfilaram à noite. Por quê? O lugar de bloco é na rua, não é à toa que surgiu a expressão ‘ colocar o bloco na rua’. Portanto, nossa sugestão é a de que os blocos tenham horários para desfilarem durante o dia nas ruas de Miracema.

No mais, realmente o som estava muito ruim, na Rua Direita reinou a paz. Se havia falta de policiamento, só vimos circulando 3 viaturas, 2 Gol da Volkswagen e 1 camburão. Se houve brigas, foi no ‘novo inferninho’, ou melhor, no show lá pelas bandas dos Correios. Aliás, diga-se de passagem, a melhor coisa que aconteceu foi o fim do ‘Inferninho’, na Rua Barroso de Carvalho.

Aos adolescentes, que são a força jovem de nossa cidade, fica aqui o pedido: ao invés de aceitarem convites e viajarem… façam os convites e tragam a moçada para Miracema! Muitos blocos poderão surgir, até os mascarados retornarão. Porque clóvis, com belas fantasias, tínhamos aos montes”.

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“Carnaval de Lucros”, principalmente para o turismo

Há poucos dias, numa das reuniões de organização da pauta da Comissão de Turismo da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, o seu presidente, deputado estadual João Pedro (DEM) destacou uma matéria publicada pelo Valor Econômico no dia 28 de janeiro, que demonstra o impacto econômico do carnaval sobre o turismo.

“Vale ler”, disse João Pedro, “principalmente a parte que faz considerações sobre o carnaval carioca, com dados retirados do estudo “Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval”. Em seguida, João Pedro citou os números que o impressionaram e fez um alerta: “os dados apresentados pela matéria, que está assinada por Ediane Tiago, falam em mais de R$ 700 milhões por ano de resultado financeiro e na abertura de 470 mil novos empregos no mesmo período e tem mais: a Riotur estima, para o carnaval deste ano, a visita de 730 mil turistas, que deixarão por aqui algo em torno de 528 milhões de dólares.

É estupidez não compreender a importância do turismo como mecanismo de estímulo ao desenvolvimento econômico”.

O estudo citado na matéria é fruto do esforço conjunto de Luiz Carlos Prestes Filho, no papel de Coordenador Geral e dos técnicos especialistas, Sergio Cidade Rezende, Carlos Saboya Monte, Clarissa Alves Machado, Sidney Limeira Sanches, Antonio Carlos Alkim e Pedro Argemiro.

Como é preocupação permanente do tudoeturismo a observação do turismo como indústria capaz de produzir empregos, oportunidades de ocupação, renda e impostos, cabe a reprodução, pelo que tem de interessante, de parte da matéria publicada pelo Valor Econômico e sugerida à leitura pelo deputado estadual João Pedro:

“Já no Rio de Janeiro, os números baseiam-se no estudo “Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval “, realizado com dados de 2006. Pelo levantamento, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Estado do Rio de Janeiro (Sedeis) estima que o Carnaval movimente mais de R$ 700 milhões por ano e mobilize 470,3 mil trabalhadores. “Estamos encontrando métricas para medir os negócios que são resultado do Carnaval . Para isso, apostamos na organização de arranjos produtivos locais para formalizar quem trabalha com este segmento”, diz Dulce Ângela Arouca Procópio de Carvalho, subsecretária de Estado de Comércio e Serviços.O número parece tímido para a indústria carnavalesca mais madura do país. Mas o estudo é uma amostragem que avaliou apenas os gastos com escolas de samba do grupo especial (12 agremiações). Leva em conta as atividades diretas – que envolvem as ações necessárias para a realização do desfile – e indiretas, a exemplo das cadeias do turismo, audiovisual, editorial e indústria de alimentos e bebidas.

Para os cariocas, o Carnaval é um importante produto, que movimenta segmentos que estão além do grupo especial. Pelas expectativas da Riotur, empresa de turismo do município, 730 mil turistas devem visitar a cidade no feriado e gastar US$ 528 milhões. Para se ter uma ideia da importância da festa, a Riotur calcula que o saldo do verão inteiro (dezembro a março) será de 2,6 milhões de turista e renda de US$ 1,876 bilhão. No ano passado, o movimento foi de 719 mil turistas que gastaram US$ 521 milhões durante a festa.

Segundo a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), cada agremiação do grupo especial gasta em média R$ 5 milhões por ano. Chico Marins, diretor de cultura e desenvolvimento da escola de samba Porto da Pedra, diz que a renda total das escolas principais está na faixa de R$ 60 milhões e é gerada pelos próprios desfiles. Só a bilheteria neste ano deve render, segundo a Liesa, R$ 42 milhões. Desse total, 53,5% são distribuídos entre as agremiações, a outra fatia paga os custos com a realização do evento como aluguel do sambódromo, segurança etc. A Liesa ainda fatura com direitos de transmissão dos desfiles. “Há uma economia importante também no grupo de acesso – cujo número de escolas é de 60 – que ainda não conseguimos mensurar”, destaca Heliana (Heliana Marinho, gerente da área de desenvolvimento da economia criativa do Sebrae-RJ)

As escolas, que figuram como pessoas jurídicas, contratam costureiras – cada barracão mantém em média 300 profissionais para a confecção de fantasias -, marceneiros, carpinteiros, eletricistas, mecânicos, designers, carnavalescos, entre outros. “Temos de realizar um desfile com 3,5 mil componentes, construir carros alegóricos, organizar ensaios e ficar atentos a todos os detalhes”, diz. “Mantemos no barracão o coração da escola e distribuímos para os prestadores de serviço o restante da produção”, explica Marins. Na terceirização, ele ainda destaca boas oportunidades para historiadores e captadores de recursos. “Há muita pesquisa envolvida e a busca por patrocínio já está profissionalizada.”

Heliana estima que um carnavalesco ganhe entre R$ 200 mil e R$ 300 mil por ano. Este atrai uma cadeia artística que envolve designers, coreógrafos, puxadores de samba, compositores e músicos. Esses profissionais, juntamente com as celebridades, consomem boa parte do orçamento reservado para mão de obra. “A maioria dos envolvidos (90%) tem renda mensal de um salário mínimo”, comenta.

Para ampliar a renda, o governo fluminense prevê a estruturação administrativa e financeira das escolas de samba e dos polos de produção de artigos para o Carnaval . Entre os arranjos na mira da Sedeis e do SEBRAE estão o de bordados em Barra Mansa, o de máscaras em Barra do Piraí e o de sapatos, em São João do Meriti. Nessas localidades, o foco está na qualificação profissional e na formação de cooperativas. “Em Barra Mansa, são 800 bordadeiras que pretendemos engajar”, diz Dulce Ângela.

A estratégia anima profissionais como Sandra Maria Anastácia, bordadeira de Barra Mansa que ainda lucra pouco com a festa. Segundo ela, a demanda por bordados de fantasias aumenta entre setembro e fevereiro. “Consigo faturar apenas R$ 120,00 por mês bordando fantasias. Em cooperativa, conseguiria negócios melhores.”

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Faltou falar do turismo, mola propulsora do desenvolvimento

“O turismo compreende todos os processos especialmente os econômicos, que se manifestam na chegada, na permanência e na saída do turista de um determinado município, país ou estado” (economista austríaco Hermann Von Schullern).

O turismo é elemento propulsor da atividade econômica, criador e multiplicador de oportunidades de ocupação, renda e arrecadação de impostos, porque os turistas pressionam o sistema econômico, quando economizam recursos para suas viagens e quando compram produtos e serviços.

A Organização Mundial do Turismo identificou 56 segmentos econômicos diferentes influenciados diretamente pelo turismo. O dinheiro gasto pelos turistas impulsiona os resultados financeiros de restaurantes, bares, casas de show, cinemas, hotéis, hospitais, farmácias e até mesmo os investimentos dos governos, em razão dos impostos, taxas e contribuições recolhidos pelos segmentos econômicos que estimula.

Cada impulso dado pelos gastos efetuados pelos turistas sobre os diversos segmentos econômicos se multiplica em rede e estabelece um sistema de interdependência entre variáveis de insumos e produtos, onde todas as vendas são igualmente compras e as saídas são também entradas. Uma situação bem acomodada no modelo construído pelo professor Wassily Leontief, no livro “A Economia do Insumo-Produto”.

Considerado o modelo, ninguém mais do que os “capitães da indústria” e os governos para, numa situação positiva para o turismo, como é o Estado do Rio de Janeiro, apostar na atividade.

Entretanto, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, ao elaborar o estudo “Decisão Rio – Investimentos 2010-2012”, com o mapeamento dos investimentos previstos para o estado, não atentou para o fato de estar destinado para o turismo um só projeto entre os 19 listados. O Estado do Rio perde oportunidades de negócios e de desenvolvimento econômico, porque desconhece a sua verdadeira vocação. Aposta-se muito no segmento industrial e quase nada num segmento que seria capaz de multiplicar o consumo dos produtos que a indústria fabrica.

Fica a lembrança.

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