Há poucos dias, numa das reuniões de organização da pauta da Comissão de Turismo da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, o seu presidente, deputado estadual João Pedro (DEM) destacou uma matéria publicada pelo Valor Econômico no dia 28 de janeiro, que demonstra o impacto econômico do carnaval sobre o turismo.
“Vale ler”, disse João Pedro, “principalmente a parte que faz considerações sobre o carnaval carioca, com dados retirados do estudo “Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval”. Em seguida, João Pedro citou os números que o impressionaram e fez um alerta: “os dados apresentados pela matéria, que está assinada por Ediane Tiago, falam em mais de R$ 700 milhões por ano de resultado financeiro e na abertura de 470 mil novos empregos no mesmo período e tem mais: a Riotur estima, para o carnaval deste ano, a visita de 730 mil turistas, que deixarão por aqui algo em torno de 528 milhões de dólares.
É estupidez não compreender a importância do turismo como mecanismo de estímulo ao desenvolvimento econômico”.
O estudo citado na matéria é fruto do esforço conjunto de Luiz Carlos Prestes Filho, no papel de Coordenador Geral e dos técnicos especialistas, Sergio Cidade Rezende, Carlos Saboya Monte, Clarissa Alves Machado, Sidney Limeira Sanches, Antonio Carlos Alkim e Pedro Argemiro.
Como é preocupação permanente do tudoeturismo a observação do turismo como indústria capaz de produzir empregos, oportunidades de ocupação, renda e impostos, cabe a reprodução, pelo que tem de interessante, de parte da matéria publicada pelo Valor Econômico e sugerida à leitura pelo deputado estadual João Pedro:
“Já no Rio de Janeiro, os números baseiam-se no estudo “Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval “, realizado com dados de 2006. Pelo levantamento, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Estado do Rio de Janeiro (Sedeis) estima que o Carnaval movimente mais de R$ 700 milhões por ano e mobilize 470,3 mil trabalhadores. “Estamos encontrando métricas para medir os negócios que são resultado do Carnaval . Para isso, apostamos na organização de arranjos produtivos locais para formalizar quem trabalha com este segmento”, diz Dulce Ângela Arouca Procópio de Carvalho, subsecretária de Estado de Comércio e Serviços.O número parece tímido para a indústria carnavalesca mais madura do país. Mas o estudo é uma amostragem que avaliou apenas os gastos com escolas de samba do grupo especial (12 agremiações). Leva em conta as atividades diretas – que envolvem as ações necessárias para a realização do desfile – e indiretas, a exemplo das cadeias do turismo, audiovisual, editorial e indústria de alimentos e bebidas.
Para os cariocas, o Carnaval é um importante produto, que movimenta segmentos que estão além do grupo especial. Pelas expectativas da Riotur, empresa de turismo do município, 730 mil turistas devem visitar a cidade no feriado e gastar US$ 528 milhões. Para se ter uma ideia da importância da festa, a Riotur calcula que o saldo do verão inteiro (dezembro a março) será de 2,6 milhões de turista e renda de US$ 1,876 bilhão. No ano passado, o movimento foi de 719 mil turistas que gastaram US$ 521 milhões durante a festa.
Segundo a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), cada agremiação do grupo especial gasta em média R$ 5 milhões por ano. Chico Marins, diretor de cultura e desenvolvimento da escola de samba Porto da Pedra, diz que a renda total das escolas principais está na faixa de R$ 60 milhões e é gerada pelos próprios desfiles. Só a bilheteria neste ano deve render, segundo a Liesa, R$ 42 milhões. Desse total, 53,5% são distribuídos entre as agremiações, a outra fatia paga os custos com a realização do evento como aluguel do sambódromo, segurança etc. A Liesa ainda fatura com direitos de transmissão dos desfiles. “Há uma economia importante também no grupo de acesso – cujo número de escolas é de 60 – que ainda não conseguimos mensurar”, destaca Heliana (Heliana Marinho, gerente da área de desenvolvimento da economia criativa do Sebrae-RJ)
As escolas, que figuram como pessoas jurídicas, contratam costureiras – cada barracão mantém em média 300 profissionais para a confecção de fantasias -, marceneiros, carpinteiros, eletricistas, mecânicos, designers, carnavalescos, entre outros. “Temos de realizar um desfile com 3,5 mil componentes, construir carros alegóricos, organizar ensaios e ficar atentos a todos os detalhes”, diz. “Mantemos no barracão o coração da escola e distribuímos para os prestadores de serviço o restante da produção”, explica Marins. Na terceirização, ele ainda destaca boas oportunidades para historiadores e captadores de recursos. “Há muita pesquisa envolvida e a busca por patrocínio já está profissionalizada.”
Heliana estima que um carnavalesco ganhe entre R$ 200 mil e R$ 300 mil por ano. Este atrai uma cadeia artística que envolve designers, coreógrafos, puxadores de samba, compositores e músicos. Esses profissionais, juntamente com as celebridades, consomem boa parte do orçamento reservado para mão de obra. “A maioria dos envolvidos (90%) tem renda mensal de um salário mínimo”, comenta.
Para ampliar a renda, o governo fluminense prevê a estruturação administrativa e financeira das escolas de samba e dos polos de produção de artigos para o Carnaval . Entre os arranjos na mira da Sedeis e do SEBRAE estão o de bordados em Barra Mansa, o de máscaras em Barra do Piraí e o de sapatos, em São João do Meriti. Nessas localidades, o foco está na qualificação profissional e na formação de cooperativas. “Em Barra Mansa, são 800 bordadeiras que pretendemos engajar”, diz Dulce Ângela.
A estratégia anima profissionais como Sandra Maria Anastácia, bordadeira de Barra Mansa que ainda lucra pouco com a festa. Segundo ela, a demanda por bordados de fantasias aumenta entre setembro e fevereiro. “Consigo faturar apenas R$ 120,00 por mês bordando fantasias. Em cooperativa, conseguiria negócios melhores.”