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RIOTUR: calendário ruim.

RIOTUR: calendário ruim

Está iniciada a 14ª temporada de cruzeiros de verão no Rio de Janeiro, que atravessará os meses iniciais do ano, até abril de 201.

A Secretaria Municipal de Turismo prevê que o evento traga ao Rio mais de 700 mil turistas a bordo de 203 embarcações com disposição para injetar US$ 210 milhões na economia local.

Ao falar sobre o evento, Antonio Pedro Figueira de Mello, Secretário Especial de Turismo e Presidente da Riotur informou: “Por conta do nosso calendário de eventos já tivemos uma ótima temporada turística este ano, superando as expectativas e com taxas de até 100% de ocupação em alguns períodos. Com 98% dos navios que fazem essa rota de cruzeiros atracando no Rio, mais uma vez estaremos vendo a economia da cidade ter nova injeção de capital. Desta vez será melhor ainda, já que cada navio ficará dois, três ou mais dias na cidade, ao contrário de outras temporadas em que o período é de 12 horas de permanência em cada porto. Isso é ótimo para a cidade, já que, com um período maior, o turista vai consumir mais no município”.

A declaração do Secretário evidencia o tipo de política de turismo que o Poder Público
Municipal desenvolve: o papel de agente passivo, que não cria eventos nem estabelece um calendário de visitas para um público tão expressivo, que tem reconhecido poder aquisitivo e pode se estimulado, voltar outras vezes e indicar o destino turístico. E, por falar em calendário de eventos, sugiro uma visitinha ao site da RIOTUR, exatamente no espaço reservado para o calendário de eventos que, se subentende, de eventos turísticos. Você ficará surpreso, e para que o susto ou a decepção não seja grande demais, registro aqui os eventos lá indicados para os nobres meses  de dezembro e janeiro:

    • 1 de dezembro -  Dia do Folclorista Luso-Brasileiro;
    • 2 de dezembro – dia dos festejos do aniversário do Bairro da Penha Circular
    • 6 de dezembro -  Dia do Caricaturista; Dia Municipal do Lojista.
    • 7 de dezembro -  Dia Municipal de Solidariedade à Luta do povo de Timor Leste;
    • Dia do Cromoterapeuta e Terapeutas Alternativos.
    • 8 de dezembro -  Dia do Bairro de Campinho.
    • 10 de dezembro – Dia de Criação do Bairro do Engenho de Dentro.
    • 13 de dezembro – Dia do Nordestino; Dia Nacional do Forró
    • 21 de dezembro -  Dia da Comunidade Evangélica Projeto Atenda
    • 22 de dezembro – Dia da Consciência Ecológica
    • 27 de dezembro – Dia do Bairro de Tomás Coelho
    • 29 de dezembro – Dia de Iemanjá
  • Janeiro:
    • 05 de janeiro – Dia da Criação do Bairro de Lins de Vasconcelos
    • 12 de janeiro, o Dia da Catedral Presbiteriana do Centro, na Rua Silva Jardim, 23
    • 15 de janeiro – Dia do Bairro de Senador Câmara. Dia do Aniversário do Bairro de Pavuna.
    • 19 de janeiro – Dia das Passistas das Escolas de Samba
    • 20 de janeiro – Corrida de São Sebastião – Dia do Apresentador de Programas de Rádio e de Televisão no Calendário Oficial do Município do Rio de Janeiro
    • 21 de janeiro  -  dia da Igreja Presbiteriana do Riachuelo; Dia do Combate à Intolerância Religiosa.
    • 24 de janeiro – Dia Municipal dos Pensionistas e Aposentados
    • 25 de janeiro – Dia Tom Jobim em homenagem à Bossa Nova.

Não é um absurdo, apresentar um calendário como este no site da empresa de turismo do Rio de Janeiro, destino de gente de quase todo mundo?

Rubem Medina exerceu a função de Secretário Municipal de Turismo num dos períodos de governo do César Maia. Logo que ele assumiu a função, encaminhei-lhe, a título de sugestão, um longo trabalho sobre calendários de eventos, divididos em eventos passivos e ativos, os emulados pelo Poder Público.

Um dos pontos que levantei foi a necessidade de se aproveitar melhor o período que vai de dezembro a março, depois do carnaval e destinei um capítulo específico para a temporada dos cruzeiros marítimos. Demonstrei o quanto se poderia multiplicar o potencial que tem o turismo para gerar empregos e recursos, com um calendário para atender os viajantes, aqueles que, a bordo dos transatlânticos passam poucos dias no Rio. Seria um calendário de lançamento de peças teatrais, de bons filmes nacionais, de visitação aos pontos turísticos, principalmente, museus. A visita às sedes dos clubes de futebol estava sugerida, pela identidade internacional que o Rio tem com o esporte.

Ficou na gaveta.

Mas, aliviemos o clima, com um belo vídeo sobre o Rio de Janeiro, a mais maravilhosa cidade do mundo.

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FITUR 2011

destaque fitur 2011

Quando a gente pensa que o Estado Brasileiro esgotou o estoque de decisões infelizes na execução de suas políticas públicas voltadas para o incentivo ao turismo, um novo fato se soma ao rosário de incompreensão do papel relevante que tem a atividade na composição do quadro social e econômico do País.

Hoje, dia 19 de janeiro, em Madrid, tem início a Feira Internacional de Turismo, o evento mais importante na pauta do segmento. O Ministro do Turismo do Brasil, Pedro Novais, não estará presente. A informação nos chegou pelo site do jornal BrasilTuris: “Ao contrário do plano inicial da viagem que faria à Europa, com escalas em Portugal e Espanha, Pedro Novais optou por ajustes políticos e não vem. Desde o final da semana passada, ele cancelou os compromissos que tinha em agenda, como a participação na CIMET – Conferência dos Ministros Latino-Americanos do Turismo – e a visita que faria à sede da Organização Mundial do Turismo para um encontro com o secretário-geral Taleb Rifai”.

Mas, o Brasil, apesar da ausência do Ministro do Turismo, estará presente com a exposição de seus produtos, tendo como tema a Copa do Mundo de 2014 e pano de fundo, as cidades onde os jogos serão realizados.

Mas, por aqui e para o mundo todo, estão presentes as imagens de destruição de um dos pólos turísticos mais importantes do Brasil, os municípios da Região Serrana do Estado do Rio, Teresópolis, Petrópolis, Itaipava e Nova Friburgo. No ano passado, Angra dos Reis viveu o mesmo quadro.

Junte-se a ausência do Ministro do Turismo em Madrid ás imagens dos problemas causados pelas chuvas nos municípios brasileiros de maior apelo turístico e teremos o mais consistente resumo do modo como os governos brasileiros pensam as políticas públicas voltadas para o Turismo.

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Quem espera sempre alcança, mas cuidado…

Bem, estamos de volta, depois de um longo tempo.

O resultado das eleições no Estado do Rio de Janeiro sacrificou um pouco o nosso projeto, muito vinculado ao trabalho do deputado estadual João Pedro como Presidente da Comissão de Turismo da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. A excelente atuação dele inspirou a criação deste espaço.

Os eleitores não o reconduziram e o primeiro impacto dos resultados fez com que perdêssemos a motivação. Mas, a tese é boa e é preciso sacudir a poeira e dar tratos à bola. Seguir em frente. Com certeza, assim que reorganizar a sua vida profissional, o João Pedro estará conosco.

E, o nosso retorno acontece quando a Cidade do Rio de Janeiro inicia o período de maior fertilidade no turismo, com os preparativos para a mais visível festa de réveillon do mundo e o ensaio dos “tamborins” para o maior carnaval do planeta.

A exploração positiva dos episódios de ocupação do maior conjunto de favelas do Brasil e talvez o mais denso amontoado de traficantes de drogas armados da América Latina, o Complexo do Alemão e a Vila Cruzeiro, marco pontos para o turismo. A percepção é de existir mais segurança nas ruas e o fato estimula o turista.

Em contrapartida, há a greve dos aeroviários e dos aeronautas que, se de fato ocorrer, provocará transtornos. O fato é grave e mais grave ainda quando inserido no contexto do funcionamento dos aeroportos brasileiros e neste campo, a atuação do governo brasileiro tem sido de absoluta estupidez e calamidade!

video quem espera sempre alcanca mas cuidadoA gestão dos aeroportos brasileiros ainda está nas mãos de uma organização pública, a INFRAERO, um demônio esquisito marcado por um histórico de tragédias. A situação é grave no desenho e na prática, porque a INFRAERO atua sob a ingerência direta dos políticos e está na órbita das negociações partidárias. É um cabide de empregos e centro de negócios para financiar campanhas eleitorais, situação amplamente demonstrada no livro Nervos de Aço, composição do ex-deputado Roberto Jefferson.

A jornalista Monica Waldvogel abordou a greve e o funcionamento dos aeroportos brasileiros no programa Entre Aspas da Globo News, que foi ao ar ontem, dia 17 de dezembro. Foram entrevistados o presidente do Sindicato dos Aeronautas, comandante Gelson Fochesato, e com o professor da Escola Politécnica da USP Dr. Nicolau Dionísio Fares Gualda,  especialista em Logística, Planejamento e Modelagem de Sistemas de Transportes e em Planejamento e Projeto de Aeroportos.

Monica abriu o programa com a chamada: “Nos últimos sete anos, o movimento nos terminais aéreos simplesmente dobrou. Só em 2010, o número de passageiros transportados deve superar a marca de cento e cinquenta milhões. Mas o setor carece de investimentos. E, sem eles, o brasileiro continuará a sofrer com longas filas, com o atraso nos vôos e com o cancelamento de viagens. Agora, trabalhadores do setor ameaçam paralisar as operações com uma greve. Quais as saídas para melhorar a qualidade do transporte aéreo brasileiro? E o País tem condições de fazer os investimentos necessários.”

Para quebrar um pouco o peso da realidade, Monica apresentou “Entre Aspas”, a frase bem-humorada do escritor Mark Twain: “Quem espera sempre alcança, mas cuidado pra não morrer nesse meio tempo”.

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Os políticos e a imprensa não ajudaram

Não se pode dizer que a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro não reagiu com rapidez e eficiência à invasão do Hotel Intercontinental por bandidos que ocuparam as ruas de São Conrado, bairro que liga a Zona Sul à Barra da Tijuca.

A situação foi dominada em poucas horas, dez bandidos foram presos. O armamento pesado utilizado por eles foi recolhido.

Contudo, a declaração do empresário mineiro Waldemar Rausch, de 42 anos, demonstra com clareza os resultados que o clima de insegurança produz sobre o turismo. O fato foi relatado pelo portal Terra, no sábado, dia da invasão, às 23 horas:

“Aterrorizados, hóspedes do Intercontinental relataram os momentos de pânico e desespero. Morador de Divinópolis (MG), o empresário Waldemar Rausch, 42 anos, diretor de plano de saúde, contou que ele, a mulher, Silvana, 44, e os filhos Álvaro, 5, e André, 3, ficaram três horas trancados no quarto em que estavam hospedados, no 9º andar. “Nossa primeira reação ao ouvir o intenso tiroteio foi nos jogarmos no chão, abraçados”, lembrou Waldemar, que pretende voltar para Minas hoje, um dia antes do que havia planejado. “Acho que não há mais clima para ficarmos aqui.”

Nenhuma política pública exerce mais influência sobre os resultados do turismo do que a Segurança Pública e os serviços de transportes. Na questão da segurança pública, é fato que o  Rio de Janeiro tem passado a percepção de haver maior cuidado por parte da polícia, principalmente, no que diz respeito ao policiamento ostensivo. Já, na questão dos transportes, a cidade e o estado ainda enfrentam duros problemas, a começar pela péssima qualidade dos pontos de acesso, rodoviárias e aeroportos.

Mas, quero, hoje, me ater ao episódio lamentável que houve em São Conrado no início do sábado. Primeiro, é preciso dizer que tivemos sorte. Se a ocorrência esperasse pelo domingo, teríamos uma confusão maior, por conta da realização da mini-maratona.

Retirada a sorte, não se pode dizer que a polícia não respondeu prontamente ao desafio e, neste ponto, me chamou a atenção a atitude de alguns políticos que, em campanha eleitoral utilizaram o acontecimento para ampliar a percepção de insegurança que o episódio com justo motivo refletiu e da imprensa que, mesmo sabendo que a situação estava sobre controle, mandou os seus repórteres ao local vestidos com coletes de proteção.

As mensagens postadas no twitter e as declarações dadas à imprensa não foram imparciais ou sequer justas e muito menos tiveram o cuidado de aliviar as impressões representadas pela declaração do Waldemar Rausch.

Muita gente passou claramente a idéia de torcer pelo pior, porque isso lhes daria o discurso mais fácil e o sensacionalismo que vende notícias. Ora, o uso político dos problemas, que ainda temos na Segurança Pública tanto mal faz ao turismo, quanto os próprios acontecimentos.

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