Também no turismo, sofre o mais fraco.

3 de janeiro de 2014

Delegado de Copacabana é afastado por mau atendimento no Réveillon - Clique e assista o vídeo no site "g1.gobo.com"
Delegado de Copacabana é afastado por mau atendimento no Réveillon
Clique na imagem acima e assista o vídeo no site “g1.gobo.com”

O Turismo no Rio de Janeiro sobre muito por conta desse comportamento.

Ontem, comentei aqui as notícias do Caderno Rio do jornal O Globo. A repórter Elenilce Bottari, autora da reportagem principal voltou com novidades na edição de hoje: “Delegado da 12a DP é exonerado”.

No título, o resumo da matéria. A Chefe da Polícia Civil, Martha Rocha, puniu com exoneração o responsável pelas imagens das pessoas que, em fila longa aguardavam muito tempo para denunciar pequenos roubos e do casal de turistas que, de cócoras tentava encontrar os seus documentos numa pilha de documentos entregues na delegacia. Satisfeitos com a notícia da exoneração do delegado ficaram, possivelmente, e nesta ordem, a repórter, o jornal, a Chefe da Polícia Civil, o Governador, leitores, por enquanto, turistas.

Entretanto, quem tiver o cuidado de seguir mais fundo verá que seria preciso mais, muito mais, da polícia e do governo do estado para resolver o problema. É preciso responsabilidade.

Sobre o tema é importante repassar a matéria publicada no jornal Extra, com a manchete Turistas assaltados poderão registrar a ocorrência pela internet no hotel ( a foto que acompanha a matéria mostra a equipe da Delegacia Especial e a Delegada Martha Rocha e ilustra este artigo). Informou a repórter Ana Cláudia Costa no dia 2 de março de 2011:

A partir desta quinta-feira, o turista que for roubado ou furtado na Zona Sul não precisará se dirigir à Delegacia Especial de Apoio ao Turista (Deat) para registrar a ocorrência. Todo o trâmite será feito no próprio hotel, com a ajuda de agentes de seguranças e funcionários, que registrarão o caso através da página da polícia na internet. A facilidade de atendimento ao turista faz parte do Programa Dedic (Dedicação Integral ao Cidadão), inaugurado na quarta-feira na Deat pela chefe de Polícia Civil, Martha Rocha.

Para lançar o programa, a chefe de Polícia Civil se reuniu com representantes da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH), do Sindicato do Donos de bares, restaurantes e hotéis (SindRio) e com integrantes de sua equipe:

— Queremos com isso nos organizar para atender bem o turista estrangeiro.

Segundo o subchefe Operacional da Polícia Civil, delegado Fernando Veloso, com Dedic, a Deat vai ganhar um aumento de 40% em seu efetivo, equipamentos e carros. Ele explicou ainda que os agentes que farão o registro de ocorrência para os turistas serão indicados pelos donos e gerentes dos hotéis.

— Vamos utilizar, em um primeiro momento, os operadores dos hotéis, agentes de segurança e funcionários. Eles, através da página da Dedic na internet, farão o registro de ocorrência. Para agir dessa forma eles farão um curso de capacitação junto à delegada titular da Deat, Renata Teixeira — disse Veloso.

O delegado disse, ainda, que o novo sistema Dedic vai otimizar o trabalho dos policiais da Deat e até mesmo do Batalhão de Turismo da PM, que não vão mais se deslocar para fazer ocorrência. O subchefe Operacional da Polícia Civil acrescentou que os policiais estarão prontos na Deat para assumir imediatamente qualquer ocorrência que seja necessária.

— O que nós queremos é poupar o tempo do turista. Ele sabe que vai ficar aqui um tempo, que isso custa caro e não sabe quando vai poder voltar. Com esse atendimento tudo vai ficar mais rápido e individualizado — disse.

Para o presidente do SindRio, Pedro De Lamare, a iniciativa da polícia foi ao encontro das expectativas do setor, que já se prepara para receber um grande número de turistas nos eventos dos próximos anos.

Interessante, não?

Estejam certos, meus caros leitores do tudoeturismo, que os furtos denunciados pelas pessoas que, na foto, aguardaram algum tempo para serem atendidas na delegacia, mofarão no arquivo morto. Como morreu, pelas notícias que chegam agora, a proposta de 2011 de todos os turistas aborrecidos com o crime serem atendidos sem a necessidade de visitar a delegacia.

Mas, o problema não está só ai. Sem investigação não se saberá quem são os furtadores, ninguém os punirá e eles continuarão nas ruas a importunar os turistas e todos os demais transeuntes.

As promessas feitas em 2011 e a evidente falta de investigação deveriam resultar na demissão da Chefe da Polícia Civil, do Secretário de Segurança ou na responsabilização direta do Governador. Nunca só do delegado.

Contudo, desde já e, quem sabe, até o próximo verão, o delegado da Delegacia Especializada saberá que, para não ser demitido, bastará que atenda com agilidade e cordialidade os turistas que cheguem à delegacia e tome o cuidado de colocar em ordem, na gavetas ou caixas de papelão, os documentos que forem entregues na delegacia. Ou, se quiser ter menos trabalho sem perder o emprego, que evite a presença de fotógrafos na delegacia.

Turismo se faz com boa notícia.

2 de janeiro de 2014

Só o mal humor explica.

Estiveram em Copacabana, para o réveillon, mais de dois milhões de almas incarnadas nos corpos de gente de todo o canto do mundo. Mais gente do que a população inteira de Recife e no empate, tanta gente quanto os moradores todos de Belo Horizonte.

Com esta informação, iniciei o dia lendo o jornal O Globo. Minha preocupação, o turismo.

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O Globo informa, com chamada na primeira página, a péssima qualidade de atendimento ao turista na Delegacia Especializada. Cita dez casos e mostra, na capa, a foto de um casal de turistas de cócoras na Delegacia Especializada à busca dos documentos pessoais que perdeu ou lhe foram roubados. Chamada: “Dores de cabeça no ano novo – Ressaca da Virada”. Logo abaixo da foto do casal, outra mostra a montanha de lixo deixada na praia.

Matéria principal. Caderno Rio. Manchete: “Entrada com o pé esquerdo – Centenas de turistas registram queixa de furto ou roubo nas delegacias de Copacabana”.

Outra foto acompanha a matéria. Foto do mesmo fotógrafo, Fabio Seixo, que mostra, congelado, um momento de atendimento na Delegacia. Muita gente, mas não mais que 50.

Elenilce Bottari assina a matéria, como assina, com Renata Leite e Simone Cândida, a que vem em seguida: “Polícia investiga tiroteio com 12 feridos em Copacabana”. A Foto de Roberto Moreyra apresenta um adolescente com curativo no ombro amparado na mãe.

Viro a página: “Riotur promete mais banheiros na virada – Espera durante a festa de réveillon em Copacabana, que contou com 300 cabines, chegava a 40 minutos”. Foto de Mônica Imbuzeiro tirada do alto. A matéria está assinada por Bruno Amorim, Rodrigo Bertolucci e Walesca Borges.

Página seguinte: “Copacabana amanhece tomada pelo lixo. Quantidade da sujeira, no entanto, foi reduzida em 9,4% em relação ao ano passado, diz a Comlurb” Assinam Bruno Amorim e Walesca Borges.

Ufa! Terminei. Imaginei-me alguém que tenha hoje vontade de conhecer o réveillon de Copacabana no próximo ano.

A Copacabana que eu vi tem belezas e teve problemas poucos para tanta gente.

Turismo de taxi. Novo Código de Normas.

30 de dezembro de 2013
Clique na imagem e assista a reportagem “Ordem nos amarelinhos” de Ruben Berta

Clique na imagem e assista a reportagem “Ordem nos amarelinhos” de Ruben Berta

Quem enfrenta o trânsito ruim na Cidade do Rio de Janeiro, todos os dias, imagina que uma das maiores frotas de taxis do mundo (33 mil carros) é suficiente para atender quem deles precise.

Ruben Berta, repórter do jornal O Globo, diz que não. Diz e prova com a matéria “Ordem nos amarelinhos”, que noticia a decisão da Prefeitura do Rio de Janeiro de disciplinar o uso de taxis.

O regulamento – novo Código de Normas – está publicado no Diário Oficial da Prefeitura. Um rosário de regras que o usuário, para ser bem tratado, precisará decorar.

Mas, se sabe que o Brasil tem boas normas, boas regras, excelentes leis. O diabo está na fiscalização, na exigência de cumprimento.

Quem precisa de taxi na Cidade do Rio de Janeiro, principalmente, se turista, sabe o quanto é complicado conseguir um. Não pela ausência, mas pela prática ruim.

O serviço tem o caráter de uma “carona remunerada”, porque o taxista só aceita passageiros que tenham como destino o mesmo destino do motorista.

Nas ruas, o usuário faz sinal. O taxi para, o motorista abre a janela do carona e pergunta: “pra aonde?”. A depender da resposta, ele autoriza o ingresso. E quando, o passageiro ingressa sem autorização prévia, passa pelo constrangimento de descer, se o destino não for aceito.

Pois bem, o novo Código tenta resolver o problema, quando obriga os taxistas a indagarem o destino ao passageiro somente após a sua acomodação no interior do veículo e acionamento do taxímetro e a aceitarem sempre as corridas. Está lá, no artigo 7o incisos “e” e “h.  Finalmente! “

Será?

Não é bem assim.

No mesmo inciso “e” está dito: “com exceção nos seguintes casos: “III” quando o destino for a área reconhecidamente de risco”.

Em se tratando do Rio de Janeiro, a liberdade de decidir o que é área de risco e que tipo de risco a norma tenta alcançar, pode anular o dever de “aceitar sempre as corridas”. E, de planto, por histórico, onde houver favelas e elas estão por todo canto, existirá risco, então…

Por fim, diz o Código, que é dever dos taxistas “não obstruir o tráfego quando do embarque ou desembarque de usuários”. Quem fiscalizará?

Independente do que seja a nossa prática, é importante que o novo Código de Normas seja de conhecimento amplo para quem visita a Cidade do Rio de Janeiro. As denúncias podem ajudar o trabalho de fiscalizar.

Entrevista também é turismo

2 de agosto de 2013

Bem gente, escrevo no dia 27 de julho de 2013, sábado, primeiro dia de sol de uma semana com muita chuva e um frio danado. O Papa Francisco permanece na Cidade do Rio de Janeiro, a cumprir a pesada agenda da Jornada Mundial da Juventude. Para não fugirem à vocação, a Prefeitura do Rio e o Governo do Estado patrocinam imagens de incompetência e pouco caso, na parte que lhes coube da organização e apoio ao evento. É a reputação de um lugar onde tudo funciona mal ou nada funciona e o povo não é respeitado.

À inaptidão para fazer as coisas certas soma-se, já tem algum tempo, o cinismo de publicamente reconhecer os erros e pedir desculpas, para passar aos eleitores o tom da humildade. Essa gente depois reclama, quando o povo vai para as ruas esculhambar.

Mas, levantemos o astral! Se os governos jogam mal, a iniciativa privada joga um bolão, no campeonato que aproveita o efeito multiplicador do turismo. Bom exemplo dá o jornal Valor Econômico com o espaço “À Mesa com o Valor”.

Nele há entrevistas com personalidades importantes nos restaurantes de preferência. Enquanto a entrevista corre, os repórteres comentam a qualidade do ambiente, da comida e apresentam o valor das contas, no final do encontro.

Desse modo, o jornal vende, no mesmo momento, cultura, gastronomia e lazer, identidade do turismo.

Leonardo Boff é o entrevistado desta semana e o encontro aconteceu no Restaurante Trigo, em Araras, distrito de Itaipava. A introdução já dá indicação da importância das entrevistas para quem busca cultura e bons restaurantes.

Na edição de 1º de fevereiro de 2013, “À Mesa com o Valor” esteve no La Casserole, tradicional restaurante francês, instalado desde 1954 no largo do Arouche, centro de São Paulo. O Valor entrevistou o advogado Luiz Otavio Baptista, excelente jurista, que marcou a sua passagem pela Organização Mundial do Comércio, como único brasileiro a integrar o órgão de apelação.  Para a entrevista, Luiz Otavio Baptista levou duas obras, uma delas, “Viajando pelo Brasil” conjunto de paisagens fotografadas pelo ex-sogro dele. Um apelo para o turismo, obra que comentaremos em algum momento aqui.

O “À Mesa com o Valor” é conteúdo das edições das sextas-feiras do Valor Econômico. Vale ler e acompanhar.